quarta-feira, 18 de março de 2009

Operação

Eu comecei a usar óculos aos 6 anos, quando a tia da primeira série percebeu que eu não estava dando conta de ler a lousa depois de ter sido mandado para a última fileira da classe por conta da minha estatura. E desde cedo eu já cogitava a possibilidade de fazer a cirurgia de correção da miopia e astigmatismo. No começo, meu oftalmo me dizia que era necessário esperar até os 18 anos, pois a minha visão continuaria diminuindo enquanto eu estivesse crescendo. Depois que parei de crescer, ainda era preciso esperar um pouquinho mais, pois o meu grau ainda não havia estabilizado, e aumentava ou diminuia um pouquinho entre cada visita.
Nos últimos anos eu tinha meio que esquecido dessa história, talvez por causa da minha boa adaptação com lentes de contato. Mas de uns tempos para cá eu tenho andado com dificuldade de trabalhar com as lentes, meus olhos ficam muito secos na frente do computador, e eu não enxergo direito. Ou seja, lentes de contato só eventualmente, ou eventos sociais.
Mas semana passada eu revoltei, e fui numa clínica de cirurgia de olhos para avaliar a possibilidade de uma intervenção que pudesse corrigir a merda toda. E as notícias não foram as melhores.
Sim, eu posso operar, só que a lista de poréns é grande, tudo por causa do meu grau ser muito alto. Primeiro, a cirurgia custaria $3500, um dinheiro que não tenho. Segundo, que é provável que a minha visão regrida um pouco depois da cirurgia, ou seja, é quase impossível que eu tenha visão perfeita, mas não é possível avaliar o quanto de imperfeição vai voltar: talvez eu nem precise de óculos, talvez eu precise deles só para ler ou trabalhar no computador, ou talvez continue precisando deles o tempo todo. O benefício é que meu grau certamente vai diminuir, e com ele, a minha dependência do óculos (hoje eu teria problemas em voltar para casa com transporte público se eu perdesse meus óculos em algum lugar, por exemplo - esse é o grau da minha cegueira).
Mas na verdade o que mais me impossibilita são as dificuldades do pós-operatório. Nem tanto a dor, que alguns pacientes dizem ser a pior dor da vida deles por alguns dias após a cirurgia. Nem tanto o fato de eu não poder trabalhar por uns 10 dias. O problema, na verdade, é que eu viraria um vegetal por uns 3 ou 4 dias após a cirurgia, com dificuldades para abrir os olhos.
E numa situação dessas, eu só posso pensar na minha mãe por perto. Mas com ela lá no Brasil, essa empreitada começa a complicar demais. Não sei se conseguiria pedir ajuda de mais alguém que não ela. Afinal, uma vez nas trevas, é só família que nos estende a mão.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Performance

Essa é aquela época do ano que os todos os empregados odeiam: avaliação de performance! Acho que o meu lado engenheiro não consegue aceitar a validade de todos esses processos que se colocam em prática para finalmente definir quem é bom e quem não é. Eu acho que a teoria é muito boa, e dá até pra acreditar que funciona. Na empresa onde trabalho, eu faço uma auto-avaliação e peço para três colegas me avaliarem. Minha gerente junta essas informações com a opinião dela, e desse resultado sai o quanto vou receber de aumento e de quanto vai ser o meu bônus.
Alguns agravantes: primeiro, todos sabemos que esse ano foi muito ruim para os negócios. Mas sem essa desculpa de crise, pois a indústria de video-games não sofre com isso não (não é difícil de imaginar que uma família de dois adultos e duas crianças gaste uns 200 dólares numa noite para sair para comer fora e ir ao cinema; video-game fica barato comparativamente). Então, já estou sabendo que o aumento vai ser quase zero, e o bônus um picolé de limão e a dádiva de continuar empregado.
Outra coisa é que me parece que ninguém sobre na hierarquia aqui onde trabalho. Eles estão sempre contratando gente de fora, enquanto nós, do lado do bebedouro ou da máquina de café, concluímos que alguém de dentro poderia fazer o trabalho do novato, e o faria com prazer! É muito mais cômodo para o gerencimanto mexer o menos possível nas áreas. Tirar alguém daqui para fazer algo mais útil ali é a história de descobrir um santo para cobrir outro, e todo mundo quer evitar a fadiga.
Por último, minha gerente senta lá longe, está sempre em reuniões, e portanto raramente olha para a minha cara. Apesar de eu ter outras pessoas para quem reporto e com quem trabalho diariamente, não são eles que decidem meus aumentos, bônus, férias, nem nada disso. A opinião dela fica subjetiva demais, e sua decisão não tem como também não ser.
Mas em épocas de desemprego (o gerente que me avaliou ano passado foi demitido, por exemplo - será justiça divina?) a gente não pode perder a chance de se vender um pouquinho.