quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Grupo

Hoje finalmente me livro de um dos motivos que têm me deixado fora do ar nestes últimos tempos: trabalho de final de curso! (o outro motivo é um jogo de computador do qual falarei algum dia aqui)
Habitualmente, os professores querem evitar a fadiga, e uma das maneiras de conseguir isso facilmente é dividir a classe em grupos de 4 pessoas para o trabalho final, o que corta em 75% o número de baboseiras para ler.
Eu e os meus outros 3 companheiros representávamos muito bem as personalidades encontradas no ambiente acadêmico:
  • Nerd: eu. Vou em todas em as aulas, sento na frente, anoto tudo, faço perguntas, mando email para o professor clarificar as coisas, já me enturmo com as pessoas para formar grupos no primeiro dia de aula, e assim por diante.
  • Estressado: eu. Se o negócio é pra entregar daqui um mês eu já estou me consumindo hoje por não estar trabalhando nisso com devoção suficiente, mas continuo não fazendo nada a respeito, além de reclamar.
  • Falso: eu. Papas na língua não me faltam. O trabalho que vamos entregar hoje está uma merda, mas o semestre inteiro eu fui elogiando o que cada um ia fazendo, e só adicionando pequenas sugestões.
  • Inseguro: esse não sou eu, mas tem uma menina no meu grupo que precisa do consentimento de alguém a cada vírgula que escreve. Caí na besteira de deixar uma análise pra ela fazer, e ela inventou um números que não tinham nada a ver. Respondi que não é muito bem assim, que tal se ela olhasse esse link aqui e tirasse algumas idéias? Ela responde que ainda está perdida e pede ajuda. Eu faço uma tabela no Excel, mando ela ir trocando os números para ver como o resultado muda. Ela me volta com um outro conjunto de números sem sentido. Eu termino o negócio inteiro, e agradeço a ajuda dela (vide item 'falso').
  • Folgado: ah, como eu gostaria de ser folgado! É uma vida tão mais fácil, menos stress, menos rugas, menos neuras. Esse é o terceiro integrante do meu grupo. Há 5 semanas dividimos o trabalho final a ser entregue, e propusemos que o primeiro prazo para dali 2 semanas. O menino não aparece e não dá sinal de vida. Na semana seguinte diz que tem uma prova, e que vai trabalhar na parte dele no final de semana. Some de novo, e no último dia, manda um negócio mal feito, copiado e colado da Internet. Ainda bem que é de última hora, senão eu iria consertar.
  • O que quer ajudar mas só atrapalha: um menino insistiu comigo que eu não precisava cuidar do documento final, pois eu já estava com coisa demais, e que ele poderia se ocupar dele, coletando as partes individuais e juntando tudo. Eu tenho dificuldades em soltar do osso, mas consenti. Ontem ele manda o documento 'lido, revisado, formatado', e esperando só alguma correção de última hora. Eu mando fácil umas 20 correções: gramática, grafia, inconsistências na numeração, formatação instável, até o nome do projeto escrito errado em 5 lugares!!
Nisso, a máxima milenar se faz necessária: se quer alguma coisa bem feita, faça você mesmo. Ainda bem que quase ninguém lê esse blog, pois esse não é o tipo de coisa corporativamente correta a se dizer, mas trabalhar em grupo é um inferno!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Blasfêmia

Offenses against the person and reputation - Interpretation
- Blasphemous libel
(1) Every one who publishes a blasphemous libel is guilty of an indictable offence and liable to imprisonment for a term not exceeding two years.

(2) It is a question of fact whether or not any matter that is published is a blasphemous libel.

(3) No person shall be convicted of an offence under this section for expressing in good faith and in decent language, or attempting to establish by argument used in good faith and conveyed in decent language, an opinion on a religious subject.

Matéria muito informativa sobre palavrões e ofensas no site do Globe and Mail: uma corte municipal em Montréal abriu um precedente (do qual eventualmente eu vou usufruir) ao decidir que um homem que mandou repetidos 'fuck you' para dois policiais não cometeu crime. A blasfêmia é punível com multa ou prisão no Canadá, mas o tal cidadão escapou ileso. De acordo com o juiz, a expressão não é uma blasfêmia por não invocar Deus ou algo sagrado.
Mas nisso eu entrei em parafuso tentando entender as coisas. Uma das coisas de que o Québec e o Canadá se orgulham e na qual tentam endoutrinar seus novos imigrantes é a secularização do Estado. Então, o Estado não deve se ofender quando alguém ofende Deus ou algo sagrado. Ou seja, alguma coisa está errada na ordem judicial: se não no resultado, pelo menos no argumento que a ele levou.
Pesquisei um pouco, e descobri que o código criminal realmente tem uma seção sobre blasfêmia, resquícios de uma época em que ofender a Igreja ainda era ofensivo ao estado. Ponto negativo para o Canadá.
Daí eu fui procurar blasfêmia no dicionário: palavra ultrajante, insulto contra a divindade ou religião. Ah, tá! A gente pode então tentar consertar as coisas ao argumentar que blasfemar é crime por conta da proferição de algo feio, e provavelmente não pela ligação com a religião.
Ainda curioso, fui procurar então a definição de ultrajante: que ofende a dignidade de, afronta, injuria, insulta, difama. Com esse resultado eu fiquei confuso de novo. Fuck you não ofende Deus, mas é ultrajante, ofende quem escuta. Então é blasfêmia. Portanto é crime. E deveria ter sido punido, mas não foi.
Minhas dúvidas são: 1. Onde é que a minha lógica está em desacordo com a lógica do juiz do caso? 2. O Estado secular pode/deve legislar sobre ofensas à Igreja? 3. Ao ofender a Igreja, ofendemos também o indivíduo?

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Comemoração

Depois de banho, o Google é a melhor coisa que inventaram, na minha opinião. Olha que meigo, ele me mandou uma mensagem de texto no meu celular me felicitando pelo meu aniversário!
Mas de outra coisa eu também sei: ficar mais velho cansa e dá trabalho. Já teve a festa no sábado, ontem o Erick me comprou um bolinho e cantamos parabéns pra mim só nós dois aqui, hoje teve mais bolo e abraços no trabalho.
Agora estou sozinho em casa (acho que é a segunda parte do presente do Erick), vou abrir a garrafa de Bailey's que o Bernardo me deu, misturar com um pouquinho de Jack Daniel's, respirar aliviado com a sensação de trabalho feito, e comemorar sozinho, no meu sossego, o fim deste dia.
Obrigado a todos pela lembrança!

domingo, 9 de novembro de 2008

Perda

A festa ontem foi muito boa. Fazia tempo que eu não encontrava muitos dos convidados, e embora não tenha dado tempo de conversar muito com ninguém em particular, já deu para matar as saudades.
A única coisa chata é que a minha máquina fotográfica se evaporou. Erick estava tirando fotos de todo mundo, e a máquina estava sempre em cima da mesa. Ele foi embora, e deixou a máquina lá, mas não tinha mais ninguém oficialmente tomando conta dela. Quando se aproxima a hora do último metrô, todo mundo já levanta, começa a despedir, ir no banheiro, e nesse movimento a máquina sumiu. Ninguém dos meus convidados, obviamente; provavelmente alguém que estava por ali e viu a máquina dando bobeira.
Já fazia tempo que eu tinha ela, e na verdade ela valia muito pouco. Já vi na Internet outras bem melhores por menos de 100 dólares. Mas ao preço adicionam-se o cartão de memória, a capinha, as pilhas, os impostos, e nisso vai fácil um dinheiro que eu não estava disposto a gastar. Vou adicionar à lista de desejos, caso algum leitor se compadeça da minha situação e queira me fazer um agrado.
A maior perda, na verdade, foram as fotos que haviam sido tiradas ontem. Muito triste.

sábado, 8 de novembro de 2008

Festa

Nunca tenho muito ânimo pra fazer algo especial pro meu aniversário. Primo, eu acho que já passei da idade de gostar de ficar mais velho; secundo, dá sempre muito trabalho, e só de imaginar os preparativos eu já me desmotivo; tertio, eu normalmente não gosto de grandes comemorações, e sempre preferi fazer alguma coisinha light com os VIPs, e já está bom demais.
Mas esse ano foi diferente, tanta gente importante entrou na minha vida nos últimos tempos, que resolvi vencer o ócio e inventar algo, mais para celebrar a presença dessas pessoas à minha volta e as muitas conquistas desse ano.
Como aqui em casa é meio pequeno, e por conta de crises globais e restrições financeiras, e a preguiça sempre dá a sua opinião, decidi convidar um bando de gente pra sair pra beber num barzinho. Eu estava esperando uma meia dúzia de pessoas, mas se convida um tem que convidar o outro, sempre tem os que levam cônjuges e amigos, e alguns nos surpreendem dizendo que vão quando a gente nem espera. Nisso, já são 20 pessoas confirmadas.
Como meus amigos aqui não são muito criativos, não são tantos os barzinhos legais que eu conheço, pois sempre acabamos indo para os mesmos. Decidi então pelo St. Sulpice, aonde eu só fui no verão por causa do enorme terraço, que infelizmente está impraticável hoje por causa de chuva e friozinho, mas que também tem muito espaço fechado, e dá pra acomodar bastante gente.
Segunda liguei pra fazer a reserva para hoje à noite, caixa postal. Mandei e-mail. Outro e-mail. Liguei de novo. Na quinta, no meio do pânico, com esse bando de gente confirmado e sem saber se eu ia dar conta de sentar todo mundo junto, eles finalmente me retornam e me dizem que só fazem reservas para pessoas mais populares com grupos de pelo menos 50 pessoas. Desculpa aí, né? Mas me garantiram que eu conseguiria facilmente o espaço para amontoar todos os meus convidados.
Vamos ver o que sai dessa história agora. Amanhã eu conto como foi.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Neblina

Hoje amanhecemos debaixo de nevoeiro forte, e eu tirei outra foto do parque em frente de casa, para comparar com a de ontem, em que o dia amanheceu super claro. Mas foi o tempo de chegar no trabalho pra tudo se dissipar, e abrir outra manhã de céu azul.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Então é Natal

Gente, será que alguém pode passar ali no camelô e me comprar o CD da Simone, faz favor? Então é Natal, e eu não sei o que eu fiz, mas só sei que de repente o ano está terminando, assim sem nem perguntar se pode.
Enquanto isso a gente vai aproveitando essas últimas semanas em que o outono ainda tem cara de outono, e que misturado com todo o clima natalino e um tempinho agradável (que quase parece inverno lá no interior de São Paulo) faz com que o infalível frio que se aproxima pareça mais tolerável.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Lixo

Uma semana de material a reciclar, comparado com o saquinho do lixo do mesmo período.
Alguns bairros de Montréal estão tentando economizar alguns trocados e incentivar a reciclagem. Tiveram então a grande idéia de reduzir a freqüência da coleta de lixo comum de duas para uma vez na semana, e manter a coleta de recicláveis semanal. Vide história aqui.
Aqui em casa eu sempre fico impressionado não só com o volume de lixo geradao mas também com a proporção destinada à reciclagem.

sábado, 1 de novembro de 2008

Presente

Aniversário da Nara neste final de semana, e como não tenho dinheiro pra comprar presente, tive que dar uma leve improvisada. Já que o tema da festa vai ser o Dia das Bruxas, com só uma cajadada resolvi dois problemas: dar fim na abóbora que comprei para servir de enfeite aqui em casa pelas últimas semanas, e fazer um agrado à aniversariante.
O problema agora é chegar lá do outro lado da cidade, carregando a lembrancinha de 10 quilos numa mão, e a cerveja na outra.