sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Branco

No dicionário, a definição de branco é: a cor do tapete do banheiro do Danilo, no momento de sua compra. É claro que assim que o primeiro pezinho nele encostou, ele perdeu a sua imaculada candidez, mas o conceito estava lá. Mas não mais...
Essa semana que chegou finalmente a minha máquina de secar, tive um surto psicótico e comecei a lavar e secar tudo que me passasse pelos olhos. Quase no final do processo, olho para o chão, enrugo a sobrancelha, e lá vai o tapete pra bater, junto com o seu congênere que fica na cozinha. O problema é que este último nunca tinha passado por tal processo, e na sua desfloração, soltou um rio vermelho que tingiu o outro tapete de rosa.
Agora ele está lá no balde, mergulhado na Ki-boa (que eu só soube que chamava água sanitária há uns dois anos), contrariando claramente as indicações na etiqueta. Acho que ele não vai se desintegrar, mas se não voltar a ser branco, vai pro lixo.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Cultura

Neste tempo de eleições federais aqui no Canadá, um dos assuntos que têm ganhado a atenção da mídia é a diminuição das verbas que o governo repassa para projetos culturais. Na última semana recebi uma ou outra corrente de email, pedindo para assinar embaixo e repassar, e sei que teve gente que foi fazer uma estardalhaço não sei onde em sinal de protesto.
Enquanto isso, o povo parece que não está muito preocupado com isso não, afinal, em tempos de vacas magras todo mundo tem que apertar o cinto, mas os artistas e antipatizantes da medida vão se fazendo ouvir ainda assim.
A propaganda abaixo virou fenômeno local no YouTube, e pinta o governo federal moroso, conservador, antiquado, ignorante, e o Québec bonzinho, próximo do povo, da natureza, de pires na mão pedindo um dinheirinho para disseminar sua cultura.
Imperdível.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Motoristas

Ainda no assunto do trânsito. Tome um lado, quem é você? Mr. Walker ou Mr. Wheeler?


Eu já fui um Mr. Wheeler, mas agora voltei às minhas pacíficas raízes como pedestre, graças ao Bom Pai.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Morte

Hoje foi o Dia Mundial Sem Carro, e como não poderia faltar, sempre tem um povo animado pra fazer uma baderna aqui em Montréal. Esses dias eles estavam distribuindo panfletos para o evento de hoje: todo mundo, lá no centro, se fingindo de morto, para chamar atenção para os efeitos nocivos da automobilização (?) da sociedade.
Como as pessoas sabem, eu não sou de protesto, nem de paralização, nem de baderna, nem de me fingir de morto, mas achei bacana a idéia e o empenho. Mas ainda assim fico com a minha consciência limpa: agora que estou morando onde o sistema de transporte atua em meu favor, enterrei para todo o sempre a idéia de comprar um carro (além do fato de eu estar enterrado em dívidas e não poder nem pensar em arcar com um luxo supérfluo destes). Só sei que somos eu e meu passe de ônibus/metrô pra cima e pra baixo nessa cidade, a qualquer hora do dia e da noite.
O prefeito aproveitou a comoção para dar a largada no projeto de aluguel de bicicletas, orgulhosamente o primeiro da América do Norte, mas copiado tal e qual do modelo parisiense. Pessimamente batizado de Bixi (Aretha, por favor, nenhuma piada, hein?), enquanto eu não comprar a minha magrela talvez eu dê uma experimentada.

Reportagem

Reportagem da Globo sobre a imigração para o Canadá. Nenhuma novidade, nem nada de muito interessante, mas vale a pena deixar registrado.

sábado, 20 de setembro de 2008

Cegueira


Conversando com a Aretha no final de semana passado, ela me disse que tinha ido ao cinema ver Ensaio sobre a cegueira, e falou muito bem do filme. Eu aproveitei a idéia e comprei o livro de presente para um amigo que fez aniversário ontem. Ele sendo francês, mas de mãe portuguesa, eu achei que a obra, mesmo que traduzida, pudesse agradar. E acertei.
Aproveitei para dar uma folheada no livro, e foi rapidinho para eu relembrar o quanto tinha gostado dele, quando o li há alguns anos. Fiz um pouco de pesquisa também para descobrir que o filme vai estrear em Montréal em algumas semanas, e o trailer corrobora a opinião da Aretha.
Eu sei que bateu uma vontade de ler o livro de novo. Talvez eu adicione a versão em francês à minha lista de (re-?) leituras.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Meu lanchinho

Almoço de amanhã, lanche da tarde de amanhã, almoço de depois de amanhã, lanche da tarde de depois de amanhã. Com tanta coisa para fazer, projetos para entregar, relatórios para escrever, testes para coordenar, o preço de sair para comprar comida é multiplicado pelo tempo que isso dura. Arroz, frango, frutas, barras de cerais, tudo balanceado, e planejado em direção à otimização do tempo.

domingo, 14 de setembro de 2008

Buraco

- O que é um fuio? - É um buiaco na paiede.
Piadinha batida, mas muito boa

Eu tinha a impressão de que do buraco na minha testa havia se aberto sobre um terceiro olho, um olho pineal, não virado ao sol e capaz de contemplar sua luz cegante, mas dirigdo às sombras, dotado de um poder de olhar o rosto nu da morte, e de capturá-lo, este rosto, atrás de cada rosto de carne, sob os sorrisos, através das peles mais brancas e mais saudáveis, dos olhos que mais riem. O desastre já estava lá e eles não notavam, pois o desastre é também a idéia do desastre por vir, que arruina tudo bem antes do seu amadurecimento.
Jonathan Littel - Les Bienveillantes


Era uma vez um furo. Na verdade, muitos furos, muitas vezes. Eles foram a causa do meu desespero inicial ao me mudar para meu apartamento novo, e quase me fizeram cancelar o negócio. Esta é a história de alguns deles.
Onde tudo começou - minha sala, lacerada, despedaçada, aflita, mortificada, amargurada, atormentada:
Massa corrida, minha panacéia, santo bálsamo, trazendo brancura, paz, alívio, conforto:
Primeira camada de tinta, sofá ainda protegido dos respingos virulentos da ferida ainda mal cicatrizada:

E enfim, a cura:

sábado, 13 de setembro de 2008

Ponto de vista

Problemas no Windows no telão do metrô:


quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Gula

Eu sei que essa vida glutona tem me agradado o espírito e arredondado a silhueta. Acabou meu contrato na academia, e eu fico inventando desculpas aleatórias para não renová-lo, e enquanto isso na sala de justiça, sedentarismo e muita comida.
Semana passada a gente começou de leve, depois do almoço, tomando uma sangria de vinho branco lá no Sir Winston Churchill, na Crescent. Conversa fiada para todos os lados, dali um tempo resolvemos cruzar o centro à pé para chegar no Plateau, para comer um poutine lá no La Banquise. A caminhada foi só pra deixar a consciência mais leve. Depois de tantos hidratos de carbono, lipídios e cloretos de sódio, a gente precisa de um docinho, pois ninguém é de ferro. E lá naquela vizinhança, se é pra comer um docinho então que seja com brio: chocolate em todos os seus estados no Juliette e Chocolat.
Esse final de semana agora tem piquenique. E vai rolar uma cervejinha na casa de um ou de outro. Talvez até uma moqueca, segundo minhas fontes, e embora eu não seja de camarão, também não sou de temperança.
Benzadeus, que essa cidade faz bem à saúde.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Frases

Pérolas produzidas pela Ester no final de semana passado, em que ela esteve em Montréal me visitando.
Quem sou eu?
Tentando identificar o seu personagem no Wii.

Eu conheço essa música.
Ao ouvir no shopping a música que ela tinha acabado de aprender a tocar no Rock Band.

O Danilo me tratou como uma princesa. A princesa sendo eu.
Ela já explicou a diferença entre frases ambígüas e polissêmicas.

Ei! Estamos dormindo aqui! Vocês podem falar mais baixo?
Tirando minha moral, emasculando-me, ao abordar uns pedreiros que estavam fazendo barulho de manhã cedo do lado da minha janela, e após ouvir de mim que eu não me atreveria a comprar briga com eles.

Cento e noventa mil dólares é muito dinheiro.
Sobre o salário de um emprego para o qual vamos nos candidatar.

Acho que aquelas chinesinhas nunca tinham cortado cabelo enrolado.
Em mais uma demonstração de sua bravura ao aventurar-se por terrenos desconhecidos.

Eu adoro Montréal.
Afinal, quem pode culpá-la por isso?