terça-feira, 12 de agosto de 2008

Curso

No final do ano passado tentei convencer a minha conselheira acadêmica de que eu não aprenderia nada no curso Information Systems for Managers [PDF], obrigatório para o meu diploma, mas não fui convincente o suficiente para me livrar dele. O ponto é que as universidades aqui são gerenciadas como um negócio, e eu sou uma fonte de renda da qual eles não querem abrir mão tão facilmente.
Sugeriram então que eu fizesse uma prova, e que dependendo do resultado, eu poderia ser abençoado com o privilégio de não ter que cursá-lo. Comprei o livro, li de cabo a rabo, e apareci lá no dia marcado. A avaliação não foi difícil, mas requisitava algumas decorebas que eu não me predispus a memorizar. Resultado: insuficiente. Tive que me engolir meu orgulho e me matricular.
Acabei por fazê-lo neste termo de maio a agosto. Foi sem dúvida o curso mais estúpido do mundo, uma revisão muito superficial de muita coisa que eu tinha feito na faculdade no Brasil, e que vim aprendendo nos empregos desde então. A boa parte deste tipo de matéria é que o trabalho mental tende a zero, mas é inversamente proporcional ao esforço físico de estar presente nas aulas e de em sua duração manter os olhos abertos. Ainda assim, é a menos pior de se fazer no verão.
Semana passada foi a prova final, exatamente a mesma cópia da avaliação que eu havia feito quando tentei a isenção. Desconfiado que este poderia ser o caso, já tinha decorado algumas coisas que tinham me faltado antes, e ao responder as questões tentei usar um pouco mais da baboseira que havia sido dito em sala de aula. Com certeza me dei bem.
Agora tenho três semanas de férias da faculdade, mas o ânimo de continuar continua abaixando. Como levar uma instituição dessas a sério?

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Televisão

Nós havíamos saído de casa naquele sábado de chuva só pra comprar um lixinho pra debaixo da pia da cozinha, mas o Erick conseguiu me convencer a passar pelas lojas de eletrônicos para olhar TVs, ainda faltante na nossa sala.
Vimos muitos modelos, marcas, tipos, todos caros e enormes, e como era ele que ia pagar pelo mimo, eu só estava de consultor, e fui dando minha opinião (quase) desinteressada e (ainda menos) imparcial. Lá pela milionésima televisão, achamos uma promoção meio estranha na Futureshop: duas delas da mesma marca, modelo e tamanho, mas uma com capacidades de alta definição ('Full HD', no jargão da indústria), e outra sem tal frescura, mas as duas pelo mesmo valor. Preço que, diga-se de passagem, não era pouco corpolento, mas que estava justo para o modelo mais simples, o que tornava o outro um bom negócio. E a decisão estava tomada, a busca terminava ali.
Difícil foi comprar. O vendedor até então estava fazendo propaganda de uma outra lá, que segundo ele nos serviria melhor para o nosso uso. Quando comunicamos que era realmente aquela que queríamos, o seu gerente apareceu na história, oferecendo um desconto em um outro modelo. Ainda não mudamos de idéia, e eles continuaram, agora em uníssono, com o argumento de que o negócio não era assim tão bom. E só pararam quando não tinha mais jeito, após a assinatura da farta fatura do cartão de crédito.
Chegando em casa, descobrimos pela Internet que o preço estava errado, e que nos venderam um produto com 400 dólares de desconto. Algum coitado colocou o preço da TV mais barata para a mais cara, e aparentemente só descobriram tarde demais.
Eu estava super feliz com a compra do lixinho da pia, mas o Erick ficou radiante com a da TV.

sábado, 2 de agosto de 2008

Renda e bens imóveis

Com toda essa história de bens imóveis percorrendo minhas idéias e me aguçando as neuras, dei de cara com um estudo sobre a acessibilidade financeira de imóveis em vários países, inclusive o Canadá.
Segundo o método utilizado, os centros urbanos pesquisados são classificados pela razão entre a mediana dos preços de seus imóveis e a mediana das rendas familiares*. Montréal encaixa-se no nível 'moderadamente acessível', com os valores de $198.000 para os preços e $51.000 para a renda, o que implica que a família mediana precisaria trabalhar por 3.8 anos para pagar pelo seu lar doce lar.
No meu caso, apesar de eu não me encaixar exatamente nestes valores, a razão continua perto do resultado para Montréal, a um pouco mais de quatro. O que, na verdade, esconde que a minha hipoteca está prevista para durar mais de 30 anos da minha vida mediana para eu terminar de pagar meu apartamento também mediano.

* Depois que eu fizer o meu curso de estatística na McGill e relembrar a razão pela qual a mediana é a melhor ferramenta, eu conto pra vocês.