quarta-feira, 23 de abril de 2008

Comemoração

Segunda-feira, o centro 'tava parecendo a Avenida Paulista com o Curíntia em final de campeonato. Depois das emoções do jogo de hóckey em que Montréal eliminou Boston e partiu para as quartas de final, os torcedores saíram felizes da vida quebrando tudo. Estamos no Canadá, mas deixe-me garantir que os fãs não têm tanta classe quanto se gostaria de pensar. Eu estava quase me sentindo em casa.
O resultado foi uma pequena variação do mesmo de sempre quando tal cenário se configura: muita bagunça, lojas pilhadas, carros de polícia queimados. Quando os policiais perceberam que o negócio ia engrossar, um batalhão especial para resolver esse tipo de problema foi acionado, e eles chegaram dando voadora no peito, como se estivessem invadindo o Iraque. Muita gente presa, mas ninguém ferido.
O que eu achei mais interessante disso tudo foi a parte midiática da coisa. Enquanto as TVs e jornais estavam fazendo suas coberturas clássicas, os transeuntes e manifestantes estavam gravando e se deixando protagonizar fazendo todas aquelas bobagens. E esse vídeos e fotos rapidinho infestaram a Internet.
Agora a polícia está coletando essas fotos e vídeos, e pedindo para que a população dê nome aos bois. Eu, perenemente em um estado vingativo, até dei uma olhadinha pra ver se eu reconhecia algum desafeto que eu pudesse denunciar. Mas são só fotos ruins, fora de foco, mal enquadradas, raramente com algum rosto à mostra; nem a mim mesmo eu reconheceria.
Ou seja, vou precisar de outros métodos.

sábado, 12 de abril de 2008

Hockey 101

Não se fala em mais nada nesta cidade, a não ser hockey. No trabalho, nos jornais, na TV, no ônibus, nas ruas, o entusiasmo com a boa qualificação do time de Montréal está gerando bastante assunto, e pelo jeito, bastante dinheiro também.
A liga norte americana de hockey no gelo, denominada Stanley Cup, tem 30 times, divididos em igual número na Conferência do Leste e Conferência do Oeste, de acordo com localização da cidades que os sediam. As conferências são, por sua vez, divididas mais uma vez pela geografia para formar três grupos com cinco times cada.
Durante a temporada normal, cada time joga 82 vezes com os outros times da mesma Conferência, sendo 32 jogos com os restantes quatro times de seu próprio grupo, e 40 jogos com os 10 times dos outros dois grupos. Elencando-se os times com base no resultado desses jogos, obtém-se os oito oitavo-finalistas de cada conferência. Assim termina a temporada regular e começam os playoffs, a parte eliminatória do torneio onde os times se disputam em melhor-de-sete.
Os playoffs começaram nesta semana, e a emoção toda é explicada pela primeira posição no ranking da Conferência do Leste conquistada pelos Montréal Canadiens. Apesar de já terem ganhado 24 vezes nos cento e poucos anos da competição, o que explica a paixão direcionada a esse esporte, a última vez que a taça veio para cá foi só em 1993, razão de tanta expectativa nesta temporada.
Hoje é o segundo jogo contra Boston, aqui em Montréal. Dois amigos tiveram a sorte de conseguir comprar os ingressos, pela bagatela de 220 dólares. Já esgotados, obviamente, encontram-se no eBay por mais que o dobro do preço.
O povo de casa também participa da euforia, ou seja, mesmo que um pouco a contra-gosto, vou acabar assistindo o jogo.
Links relacionados, só para dar uma idéia:
[Update 12/04/2008 22:18] O jogo terminou, 3x2 para Montréal, morte súbita na prorrogação.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Célebre

No meu caminho para a academia no sábado, resolvi dar uma andada pelas ruas do centro ao invés dos caminhos usuais de inverno pela cidade subterrânea. Sol forte e temperaturas agradáveis, finalmente uma sensação de primavera depois do último sopro de inverno que trouxe mais um pouco de neve na semana passada. E é claro que eu não fui o único: a quantidade de gente na rua era comparável aos dias de verão, todo mundo com sacolas de compras pra lá e pra cá, chupando sorvete, bebendo cerveja nos bares, comendo na rua, e tudo a que se tem direito.
De repente cruzo com uma mega-aglomeração, que por pouco não me fagocita, e da qual fujo para o outro lado da rua, de onde vou vendo a massa andando meio devagar, um monte de gente com máquina fotográfica na mão, uns na ponta dos pés, outros parados nas esquinas nos sinais verdes e assistindo à procissão, e penso comigo que esse povo devia estar tudo tonto, e já começando a dar sinais de ensolação.
Foi só quando eu cheguei em casa e vi no jornal que a comoção toda foi causada pela presença da famosíssima super- hiper- mega- power- pump- extra- big- xxx aprendiz de atriz, cantora, modelo e business-woman Paris Hilton, celebridade acerebral, que passeava por ali por um motivo muito mais nobre do a pobre saudade do sol: estava fazendo a promoção de algum produto em uma loja no centro.
Fala sério. Ainda bem que cruzei a rua a tempo.