quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Regime

Como perder dois quilos em uma semana:
Pegar vários ônibus lotados, passar muitos dias somente em ambientes trancados, seja em casa ou no trabalho, ir em festa de criança, tudo para garantir a enorme troca de micro-organismos, sempre tão rica nesta época do ano, entre todos à sua volta.
Em um domingo no meio do inverno de um ano bissexto em uma semana com um eclipse lunar total, caminhar até a montanha mais alta da região, e dar voltas em torno de um lago congelado, de mãos dadas com alguém especial, sob chuva e temperaturas abaixo de zero, durante duas horas.
Nos sete dias seguintes, pode-se comer tudo que quiser, ou pelo menos tudo que conseguir. Ao final deste período, tudo deve voltar ao normal, e dois quilos terão sumido de seu corpo.
Efeitos colaterais: vômito, febre, dor de garganta, dores no corpo, tosse, tendências suicidas.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Secessão

La Cour suprême du Canada a confirmé que ni l'Assemblée nationale, ni la législature, ni le gouvernement du Québec ne dispose, en droit international ou au titre de la Constitution du Canada, du droit de procéder unilatéralement à la sécession du Québec du Canada.
Pelo que tenho lido, nada do Canadá se pronunciar até agora com relação à independência de Kosovo. Assim como países europeus com grupos separatistas, tal como a Espanha com os bascos e os catalãos, o governo canadense ainda está 'analisando os fatos' antes de um pronunciamento oficial sobre a criação do novo país, para não meter combustível na fogueira em que grupos separatistas do Québec o tentam colocar constantemente.
O problema é que Kosovo quebrou seus vínculos unilateralmente, ou seja, a Sérvia não foi consultada e já se posicionou contra. O governo canadense, mais esperto, já previu que este tipo de idéia pudesse surgir por aqui, e passou um projeto de lei em 2000 (Loi sur la clarté) em que estabelece as regras do jogo no caso de outra possível tentativa de separação: seu primeiro e principal ponto torna anticonstitucional a independência unilateral de qualquer de suas províncias. Então sem chance de saudar o povo alheio por algo que aqui é proibido.
Enquanto a situação nos Bálcãs não se resolve, ou pelo menos enquanto ela não se acalma, nenhuma previsão de ação do Canadá. Na página do Ministério de Relações Exteriores, nada sobre o tema até agora, e Kosovo ainda aparece no mapa da Sérvia.
Na mídia: Cyberpresse, Cyberpresse, Reuters, Der Spiegel, Yahoo! News.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Oscar

Estou aproveitando essa euforia toda de Oscar para entrar em dia com os filmes que estão há tempos na minha lista. A boa parte de estar atrasado é que a maioria dos títulos já saiu da parte 'novidades' da locadora, o que me garante preços bem mais módicos e prazos um tanto mais longos na locação. Só neste final de semana foram quatro filmes!
Entre eles, 'A Rainha': fiquei impressionado como eles conseguiram atores muito parecidos com os personagens que interpretavam, só que mais bonitos. A Rainha, o Príncipe Charles, Tony Blair, todo mundo muito mais apresentável do que na vida real. É claro que eu, na minha sandice toda, fiquei secretamente pensando em quem vai ser contratado para interpretar o meu papel quando eu ficar famoso por alguma coisa. Quem sabe minhas aspirações políticas não me levarão à posição de primeiro ministro?
Mas o chato de assistir à entrega dos Orcars em tal estado de atraso é que eu tive pouco material com que ficar torcendo ou torcendo o nariz para esse ou aquele candidato. Mas dos que eu tinha assistido, fiquei feliz com o resultado: Ratatouille (melhor animação, e que foi o melhor filme do verão passado), Once (melhor canção original, filme despretensioso e que consegue ser ótimo mesmo sem nada acontecer o filme inteiro), There will be blood, (melhor ator para Daniel Day-Lewis, atuação de arrepiar os cabelinhos da nuca, como diria a Aretha).


Apesar de eu ter dormido sonoramente em Elisabeth, eu estava torcendo para a Cate Blanchett, e achei que a emoção dela ao ouvir que não tinha ganhado como melhor atriz foi muito mais emocionante do que o choque da tal Marion Cotillard:

Tomara que até o ano que vem eu já tenha conseguido entrar em dia com tanto filme bom.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

London, London

Direcionado pelo site da Alexandra um tempo atrás, fiz um teste online para descobrir a qual cidade européia eu pertenço, e o meu resultado foi Londres:
You Belong in London
You belong in London, but you belong in many cities... Hong Kong, San Francisco, Sidney. You fit in almost anywhere. And London is diverse and international enough to satisfy many of your tastes. From curry to Shakespeare, London (almost) has it all!
Quando comecei a fazer o teste (bem bobinho, por sinal), eu nem tinha a Inglaterra na cabeça. Por algum motivo as lições de geografia que restam na minha memória me fazem pensar na Europa não-continental como não-Europa. Mas acho que o resultado não está nem um pouco errado, seria para lá que eu iria se tivesse que escolher outro lugar para morar.
Eu passei por Londres rapidamente duas vezes enquanto estava trabalhando na França, e lá encontrei um amigo que me ciceroneou pela capital. É claro que os lugares turísticos clássicos foram visitados, pelo menos rapidamente, mas a parte mais interessante dos passeios, e provavelmente o motivo pelo qual eu gostei tanto de lá, foi a andança casual e os programas nativos.
Pegamos ônibus, metrô, taxi, andamos um monte à pé, fomos até os subúrbios, passamos pelo agito central dos bares e boates e pelo sossego dos parques distantes, e tudo me impressionou muito positivamente. Nunca pensei em ser tão bem tratado pelas pessoas, por desconhecidos aleatórios, por amigos deste meu amigo, todo mundo demonstrando uma agradabilidade e simpatia distantes das que nos fazem querer acreditar os que permeiam a propaganda da frieza dos ingleses. Neste aspecto, e que os separatistas daqui não me ouçam, as pessoas de Montréal me lembram muito mais os ingleses do que os franceses.
E a animação da cidade em pleno inverno também era contagiante: foi festa, música e álcool o final de semana inteiro, com algumas horas durante o dia para dormir e repor a energia para a próxima balada. No sábado, fomos em um aniversário em um bar das 8 da noite até umas 11 horas, de onde saímos para uma boate onde ficamos até as 5 da manhã, de onde saímos e fomos para uma outra boate que abre às 6 e só fecha ao meio dia, de onde saímos para tomar café no Starbuck's e depois sentar em um bar cheio para conversar mais um pouco e jogar sinuca.
E todos os lugares extremamente democráticos, nada de um só estilo de música ou tipo de frequentador, de tudo e todo mundo em toda parte. Nunca fui muito baladeiro, mas saber que existem tantas possibilidades, e que a qualquer hora tem sempre um lugar bombando, me cativou mais do que pensei que o meu aparente mau-humor deixaria transparecer.
Agora estou fazendo planos para talvez passar por lá no verão, quem sabe eu não fico mais impressionado ainda?

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Eventos

A Conferência Anual do McGill Institute for the Study of Canada vai questionar os valores culturais comuns e diferentes entre os três países da América do Norte. Andei olhando o programa, e vi bastante coisa interessante, e gostaria muito de participar, mas as palestras são todas de dia e durante a semana! Mas nem tudo está perdido: a cerimônia de encerramente vai contar com Gilberto Gil, falando sobre cultura digital, na única palestra gratuita e aberta ao público do evento. Eu pretendo estar lá! Sexta, dia 15, às 18:00, no Omni Mont-Royal Hotel, na rua Sherbrooke, do lado da McGill.


O cinema québécois continua lutando para sobreviver à Hollywood, e se não no resto do mundo, aqui ele vai muito bem. Começando esta semana, longas, curtas, animações, amadores, filmes locais vão estar espalhados por algumas salas no centro e uma ou outra perdida na cidade. Alguns dos filmes nem são tão novos, e já devem até ter chegado na locadora, mas no escurinho do cinema é sempre mais divertido, né?


Essa também é outra imperdível! O Festival Montréal en Lumière apresenta dia 24 a terceira edição do Montreal Downtown & Underground Event, em que corredores correm uma corrida nos corredores da cidade subterrânea! Como eu não acordo no domingo pra correr nem que seja da polícia, provavelmente vou estar lá entre os caminhantes, que a seu passo, vão (re) descobrindo a rede abaixo dos nossos pés que integra todo o centro da cidade, e curtindo os 'shows, atividades e outras surpresas' pelo meio do caminho.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Entrevista

Nesta vida navegante, de link em link vou passeando por blogs alheios para ver o que se passa à minha volta, e caí no Coolopolis, um site anglófono daqui de Montréal, que citou os 60 anos da adoção da flor de lis como bandeira do Québec. Mas por conta de um erro tipográfico, ele citou que eram 50 anos que ela comemorava, e eu mandei um comentário para que a imprecisão fosse sanada. Na verdade eu me compadeci do autor, pois eu havia cometido o mesmo erro no ano passado, quando mencionei o então aniversário de 59 anos da bandeira, que ficou em meu blog por algum tempo como dez anos a menos.
Mais tarde naquele mesmo dia, recebi um comentário em um dos meus posts, onde o tal autor do então já corrigido blog dizia querer me fazer uma proposição, e me deixou o seu telefone. Estranho o suficiente, ele me escreveu em português, mesmo que muito falho, o que me deixou com ainda mais uma pulga atrás de orelha e um comichão para ligar e ver do que se tratava.
Quando liguei, ele reconheceu meu nome, e se identificou como um colunista do jornal The Montréal Gazette, disse que já havia visitado o Brasil, e que ficou honrado com visitas brasileiras em seu site, e explicou que a proposta se tratava de uma entrevista que ele queria fazer comigo. Ao dizer que nunca havia lido a tal gazeta (o que ele achou MUITO estranho!!!), e indagar o motivo pelo qual os leitores do jornal se interessariam em algo que eu teria a dizer, ele tentou clarificar a minha desconfiança, e explicou que a coluna se tratava de uma 'home interview', onde o entrevistado recebe em sua casa o entrevistador, que lhe indaga sobre a localização do imóvel, a vizinhança, a decoração, a disposição dos móveis, a cor das paredes. Segundo ele, seus alvos semanais não são escolhidos com método algum, e até transeuntes nas ruas ele interpela para propor essa bobagem toda.
Meu ponto de interrogação imaginário só aumentou com a explicação, e minha mente passou rapidamente pela inevitável dúvida sobre a existência da vontade de alguém no mundo de ler essas coisas sobre um aleatório qualquer. E em um hiperlink mental fui imeditamente levado a imaginar como explicar qualquer um desses tópicos sobre um lugar onde não escolhi absolutamente coisa alguma, embora seja esta a minha casa, e onde eu me sinto em casa.
O poster da Playboy na entrada, o buraco na parede escondido por um lençol hippie, o teto do banheiro em estado deplorável, a porta da geladeira que precisa de uma ajudinha para se manter fechada, a mesa da copa em forma de amendoim, as cadeiras com o encosto faltando, o cantinho inacessível pela vassoura, as manchas na parede do meu quarto, tudo já estava aqui quando cheguei, e nada dessas coisas traz charme algum ao lugar, mas também não me incomodam, pois eu adoro o povo com quem eu moro, e que em momentos difíceis aqui só faltou que me carregassem nas costas. Mas como explicar isso para os leitores do jornal, e a pergunta que ainda me assola: quem se importa? Tive que recusar a proposta.
Embora se saiba que qualquer tipo de publicidade seja bom, achei que o meu refúgio do mundo exterior, e tudo que faz dele estranho e especial, não deveria ser tornado público.