terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Dia de Ano


C't'aujourd'hui l'jour de l'an
Gaie lon la, mon Joe, ma lurette
C't'aujourd'hui l'jour de l'an
Y faut changer d'maîtresse
Y faut changer d'maîtresse, mon Joe
Y faut changer d'maîtresse

Échangera qui voudra
Gaie lon la, mon Joe, ma lurette
Échangera qui voudra
Mais moé je garde la mienne
Moé je garde la mienne, mon Joe
Moé je garde la mienne

Elle a de jolis yeux doux
Gaie lon la, mon Joe, ma lurette
Elle a de jolis yeux doux
Une bouche vermeille
Une bouche vermeille, mon Joe
Une bouche vermeille

Comme il serait doux
Gaie lon la, mon Joe, ma lurette
Comme il serait doux
D'avoir un baiser d'elle
D'avoir un baiser d'elle, mon Joe
D'avoir un baiser d'elle

Mais encore bien plus doux
Gaie lon la, mon Joe, ma lurette
Mais encore bien plus doux
De dormir avec elle
De dormir avec elle, mon Joe
De dormir avec elle

Dans un grand lit blanc
Gaie lon la, mon Joe, ma lurette
Dans un grand lit blanc
Tout près d'une chandelle
Tout près d'une chandelle, mon Joe
Tout près d'une chandelle

Y faut changer d'maîtresse, mon Joe
Moé je change pas
d'maîtresse

Paul Piché - Mon Joe

É dia de ano.É preciso mudar de amante. Mas eu vou ficar com a minha.

Feliz 2009!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Leva eu


Emmenez-moi au bout de la terre
Emmenez-moi au pays des merveilles
Il me semble que la misère
Serait moins pénible au soleil

Charles Aznavour - Emmenez-moi

Férias! Depois de alguns desencontros, acho que eu vou conseguir cair fora daqui, para o meu merecido descanso no Brasil!
Já que o Natal em família já estava completamente perdido, decidi mudar o meu vôo mais uma vez, pois não queria de jeito nenhum ter que passar uma noite em Atlanta e outra em São Paulo. Assim, saio daqui de Montréal amanhã, dia de Natal, à uma da tarde, escala rapidinha em Atlanta, e às 8 da manhã do dia seguinte já estou em Guarulhos.
Obrigado à Ester pela reza, ao Charles e à Mônica que se ofereceram de me pegar no aeroporto, ao Erick por cogitar até a hipótese de me levar de carro até Nova Iorque, e ao Louis-Philippe por me convidar a passar a ceia de Natal com a sua família. Nesta época do ano, é bom se saber bem-acompanhado.
Feliz Natal pra todo mundo!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Epopéia

Voltar pro Brasil nessa época do ano é garantia certa de muitas emoções.
Eu estava com a passagem comprada há 8 meses, pois não queria correr o risco de acabar com datas ruins como aconteceu na minha última viagem nesta época no ano passado. Mas como a gente aprende, não há planejamento que supere completamente o risco: eu não estava contando com uma tempestade de neve.
Eu deveria ter saído de Montréal ontem, às 4 da tarde, e após escala em Nova Iorque deveria pousar em São Paulo hoje, durante o almoço. Preocupado com a neve que caia abundante desde de manhã, resolvi dar uma ligadinha para a companhia aérea antes de sair com o Erick para ele me levar ao aeroporto. Resultado: meu vôo já havia sido cancelado.
Eles me colocaram num outro vôo saindo daqui amanhã, na terça, que me deixa em Atlanta às 9 da noite. Meu vôo de lá para São Paulo só sai na manhã seguinte, e eu chego portanto às 10 da noite do dia 24 em Guarulhos. Como são pelo menos 5 horas de carro até a casa dos meus pais, vou passar a Noite Feliz num hotel na beira da estrada, esperando alguém ir me buscar na manhã de Natal.
Xinguei tanto o coitado do atendente da Delta que não tinha nada a ver com a história, que já estou mais zen. Pensei até em cancelar a viagem inteira e comprar uma outra passagem em épocas menos atribuladas, mas decidi que não valeria a pena.
Rezem por mim, amigos leitores, pois este começo de festas não anda nem um pouco festivo por aqui.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Fotos

Ganhadores do concurso de Foto do Ano 2008 da Unicef:

Garota anda descalça por uma favela em Porto Príncipe, capital do Haiti.


Sobrevivente do terremoto de Maio de 2008, em Sichuan, na China.


Homem afegão com o filho ferido nos braços.

Não dá foto de sair tirando foto pra tentar consertar esse mundo inteiro?

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Sutilmente



E quando eu estiver
Triste
Simplesmente
Me abrace

Quando eu estiver
Louco
Subitamente
Se afaste

Quando eu estiver
Fogo
Suavemente
Se encaixe

E quando eu estiver
Bobo
Sutilmente
Disfarce

Mas quando eu estiver
Morto
Suplico que não me mate não
Dentro de ti

Mesmo que o mundo
Acabe enfim
Dentro de tudo
Que cabe em ti
Skank - Sutilmente
A Mônica disse que lembrou de mim quando escutou essa música, por ela falar de um assunto recorrente em nossas conversas: o quanto muitas vezes só precisamos de apoio, e não de opiniões, sugestões, palpites. O nosso argumento é de que pouquíssimas pessoas são capazes de nos oferecer só apoio sem tentar nos convencer de suas idéias.
Lanço aqui, portanto, a campanha: 'Não quero opinião, só apoio!'. Revolucione a sua vida, seus relacionamentos, o convívio com a sua família, a interação no trabalho, repetindo essa frase a torto e direito, aos quatro ventos, para quem quiser ouvir.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Dia Internacional do Migrante

Trabalhador passa em frente a outdoor de campanha que incentiva imigrantes irregulares a deixarem a Espanha, no metrô de Madri. A Organização Internacional de Migrações (OIM) afirmou que os países devem resistir à tentação de fechar suas portas aos imigrantes nestes tempos de crise financeira e econômica. Fonte: UOL.

Tenho mais coisa pra falar sobre o assunto, mas hoje não dá tempo, deixa marcado, fica pra próxima.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Televisão

Sem provas e com um puta frio, sentei dia desses pra assistir TV. Embora a sala de casa seja praticamente propriedade privada do Erick, pois eu normalmente fico trancado no meu quarto o tempo todo, eu consegui um tempinho em que ele desgrudou de lá pra relembrar deste passatempo. Tá certo que vira-e-mexe ela está ligada, principalmente enquanto estou na cozinha, e fico ouvindo as notícias, mas só para quebrar o silêncio do trabalho lerê.
Mas tenho passado tanto tempo no computador, que acho que desacostumei. Tentando acabar de assistir Os Incríveis (que não terminava nunca por conta dos intervalos enormes), finalmente tive uma epifania: nada mais na TV a cabo me interessa. As notícias eu leio na Internet. As séries que eu assisto também estão todas online (Desperate Housewives e Grey's Anatomy na CTV; House e The Office na Global). Filmes só no DVD ou no cinema. Pra quê pagar então?
Fui mencionar isso pro Erick mas fui cortado imediatamente: os jogos de hockey aparentemente não são facilmente substituídos por outras mídias. Inferno.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Lua

Olha só que notícia interessante: hoje, sexta-feira, a lua cheia vai coincidir com o seu perigeu, o que quer dizer que ela vai estar 14% maior e 30% mais brilhante. Tá certo que o fenômeno não é uma passagem do cometa Haley, e acontece com certa freqüência, mas ainda assim tá valendo!

Espetáculos

Fonte: G1
Tenho sentido saudades da minha finada câmera estes tempos, pois eu queria muito ter registrado duas coisas geradas pelas peripécias do frio em Montréal.
A primeira foi na noite seguida da primeira importante queda de neve da estação (foi bastante neve, mas não foi tempestade como andam falando por aí). Nevou o dia inteiro, e tarde da noite deu uma parada. A neve não foi retirada das ruas, talvez por lerdeza, ou talvez pelos responsáveis terem acreditado na previsão do tempo que anunciava chuva e temperatura de 7 graus positivos para o dia seguinte, que eventualmente derreteria todas as acumulações. Nuvens ainda presentes, e a neve ainda imaculada no chão, o reflexo das luzes torna o céu da noite muito claro e muito laranja. Seria uma bela visão do alto do Mont-Royal, por exemplo.
Outra foi que o tal dos 7 graus não veio, e a temperatuda continuou negativa, mas chegou a chover. Com a chuva, a neve das árvores foi derretendo, e congelando por causa da baixa temperatura. De manhã, todas as árvores pareciam esculturas de cristal, com uma grossa camada de gelo em volta de cada galho fininho.
Alguém por aqui chegou a fotografar alguma dessas coisas?

Dentista


My mouth is dry
My face is numb
Fucked up and spun out in my room
On my own, here we go!
Green Day - Brain Stew
Eu sei que esse ano passou tão rápido que eu nem me dei conta que deveria ter marcado meu retorno na Dra. Regina - minha dentista aqui em Montréal. Na limpeza em junho, ela me disse que eu tinha uma pequena cárie de que deveríamos cuidar em uma próxima visita minha. Seis meses depois eu lembrei, e criei vergonha na cara pra marcar.
Dentista é sempre uma emoção. Desta vez começou com a secretária dela, dizendo que a doutora tinha acabado de chegar de férias e só tinha horário pro ano que vem, e me sugeriu um outro que trabalha lá no mesmo consultório. Muitos problemas nisso tudo: primeiro, eu não gosto dessa infidelidade odontológica, acho que dentista e paciente estão juntos até que a extração do último molar os separe. Não vou ficar sassaricando e abrindo minha boca e intimidade pra qualquer um: eu queria a Regina e pronto. Nisso é que serve a brasilidade na relação: me acharam um encaixe! Hora do almoço, poucos dias depois, olha que perfeição?
Outro problema é que eu já tenho dentes sensíveis, não posso apreciar um copão de água bem gelada, não posso morder frutas que estavam na geladeira, tenho que colocar sorvete no micro-ondas, Nutella e doce-de-leite me doem até a alma: não preciso de uma 'pequena cárie' pra acidionar mais problemas, e uma vez relembrado da sua existência, tudo me parece mais exarcebado.
Daí ontem acabei com essa história, finalmente. De volta ao trabalho, anestesiado da língua até a orelha, de boca torta, babando ao beber água, tentei evitar de cruzar olhares com o povo que trabalha comigo, que me vêem como a higiene bucal personificada por eu ser o único que escova os dentes após o almoço. Achei melhor não entrar em detalhes, já é humilhante o suficiente ter tido uma cárie.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Onze do doze

Dois anos de Canadá hoje. E aniversário da minha irmã Daniela. Muitas emoções. E vamo que vamo!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Primeiro de Dezembro



Para alertar para o Dia Mundial de Luta contra a Aids, neste 1º de dezembro, o maior monumento de São Paulo, o Obelisco do Ibirapuera, com 72 metros de altura, foi ornamentado com 12 laços vermelhos que são o símbolo do combate à doença. Segundo a Secretaria de Saúde, dados recentes mostram que o número de soropositivos cresceu entre as pessoas com mais de 50 anos no estado: o percentual passou de 4% em 1983 para 15% em 2007 (Foto: Denis Freire de Almeida/G1; Fonte: G1)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Grupo

Hoje finalmente me livro de um dos motivos que têm me deixado fora do ar nestes últimos tempos: trabalho de final de curso! (o outro motivo é um jogo de computador do qual falarei algum dia aqui)
Habitualmente, os professores querem evitar a fadiga, e uma das maneiras de conseguir isso facilmente é dividir a classe em grupos de 4 pessoas para o trabalho final, o que corta em 75% o número de baboseiras para ler.
Eu e os meus outros 3 companheiros representávamos muito bem as personalidades encontradas no ambiente acadêmico:
  • Nerd: eu. Vou em todas em as aulas, sento na frente, anoto tudo, faço perguntas, mando email para o professor clarificar as coisas, já me enturmo com as pessoas para formar grupos no primeiro dia de aula, e assim por diante.
  • Estressado: eu. Se o negócio é pra entregar daqui um mês eu já estou me consumindo hoje por não estar trabalhando nisso com devoção suficiente, mas continuo não fazendo nada a respeito, além de reclamar.
  • Falso: eu. Papas na língua não me faltam. O trabalho que vamos entregar hoje está uma merda, mas o semestre inteiro eu fui elogiando o que cada um ia fazendo, e só adicionando pequenas sugestões.
  • Inseguro: esse não sou eu, mas tem uma menina no meu grupo que precisa do consentimento de alguém a cada vírgula que escreve. Caí na besteira de deixar uma análise pra ela fazer, e ela inventou um números que não tinham nada a ver. Respondi que não é muito bem assim, que tal se ela olhasse esse link aqui e tirasse algumas idéias? Ela responde que ainda está perdida e pede ajuda. Eu faço uma tabela no Excel, mando ela ir trocando os números para ver como o resultado muda. Ela me volta com um outro conjunto de números sem sentido. Eu termino o negócio inteiro, e agradeço a ajuda dela (vide item 'falso').
  • Folgado: ah, como eu gostaria de ser folgado! É uma vida tão mais fácil, menos stress, menos rugas, menos neuras. Esse é o terceiro integrante do meu grupo. Há 5 semanas dividimos o trabalho final a ser entregue, e propusemos que o primeiro prazo para dali 2 semanas. O menino não aparece e não dá sinal de vida. Na semana seguinte diz que tem uma prova, e que vai trabalhar na parte dele no final de semana. Some de novo, e no último dia, manda um negócio mal feito, copiado e colado da Internet. Ainda bem que é de última hora, senão eu iria consertar.
  • O que quer ajudar mas só atrapalha: um menino insistiu comigo que eu não precisava cuidar do documento final, pois eu já estava com coisa demais, e que ele poderia se ocupar dele, coletando as partes individuais e juntando tudo. Eu tenho dificuldades em soltar do osso, mas consenti. Ontem ele manda o documento 'lido, revisado, formatado', e esperando só alguma correção de última hora. Eu mando fácil umas 20 correções: gramática, grafia, inconsistências na numeração, formatação instável, até o nome do projeto escrito errado em 5 lugares!!
Nisso, a máxima milenar se faz necessária: se quer alguma coisa bem feita, faça você mesmo. Ainda bem que quase ninguém lê esse blog, pois esse não é o tipo de coisa corporativamente correta a se dizer, mas trabalhar em grupo é um inferno!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Blasfêmia

Offenses against the person and reputation - Interpretation
- Blasphemous libel
(1) Every one who publishes a blasphemous libel is guilty of an indictable offence and liable to imprisonment for a term not exceeding two years.

(2) It is a question of fact whether or not any matter that is published is a blasphemous libel.

(3) No person shall be convicted of an offence under this section for expressing in good faith and in decent language, or attempting to establish by argument used in good faith and conveyed in decent language, an opinion on a religious subject.

Matéria muito informativa sobre palavrões e ofensas no site do Globe and Mail: uma corte municipal em Montréal abriu um precedente (do qual eventualmente eu vou usufruir) ao decidir que um homem que mandou repetidos 'fuck you' para dois policiais não cometeu crime. A blasfêmia é punível com multa ou prisão no Canadá, mas o tal cidadão escapou ileso. De acordo com o juiz, a expressão não é uma blasfêmia por não invocar Deus ou algo sagrado.
Mas nisso eu entrei em parafuso tentando entender as coisas. Uma das coisas de que o Québec e o Canadá se orgulham e na qual tentam endoutrinar seus novos imigrantes é a secularização do Estado. Então, o Estado não deve se ofender quando alguém ofende Deus ou algo sagrado. Ou seja, alguma coisa está errada na ordem judicial: se não no resultado, pelo menos no argumento que a ele levou.
Pesquisei um pouco, e descobri que o código criminal realmente tem uma seção sobre blasfêmia, resquícios de uma época em que ofender a Igreja ainda era ofensivo ao estado. Ponto negativo para o Canadá.
Daí eu fui procurar blasfêmia no dicionário: palavra ultrajante, insulto contra a divindade ou religião. Ah, tá! A gente pode então tentar consertar as coisas ao argumentar que blasfemar é crime por conta da proferição de algo feio, e provavelmente não pela ligação com a religião.
Ainda curioso, fui procurar então a definição de ultrajante: que ofende a dignidade de, afronta, injuria, insulta, difama. Com esse resultado eu fiquei confuso de novo. Fuck you não ofende Deus, mas é ultrajante, ofende quem escuta. Então é blasfêmia. Portanto é crime. E deveria ter sido punido, mas não foi.
Minhas dúvidas são: 1. Onde é que a minha lógica está em desacordo com a lógica do juiz do caso? 2. O Estado secular pode/deve legislar sobre ofensas à Igreja? 3. Ao ofender a Igreja, ofendemos também o indivíduo?

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Comemoração

Depois de banho, o Google é a melhor coisa que inventaram, na minha opinião. Olha que meigo, ele me mandou uma mensagem de texto no meu celular me felicitando pelo meu aniversário!
Mas de outra coisa eu também sei: ficar mais velho cansa e dá trabalho. Já teve a festa no sábado, ontem o Erick me comprou um bolinho e cantamos parabéns pra mim só nós dois aqui, hoje teve mais bolo e abraços no trabalho.
Agora estou sozinho em casa (acho que é a segunda parte do presente do Erick), vou abrir a garrafa de Bailey's que o Bernardo me deu, misturar com um pouquinho de Jack Daniel's, respirar aliviado com a sensação de trabalho feito, e comemorar sozinho, no meu sossego, o fim deste dia.
Obrigado a todos pela lembrança!

domingo, 9 de novembro de 2008

Perda

A festa ontem foi muito boa. Fazia tempo que eu não encontrava muitos dos convidados, e embora não tenha dado tempo de conversar muito com ninguém em particular, já deu para matar as saudades.
A única coisa chata é que a minha máquina fotográfica se evaporou. Erick estava tirando fotos de todo mundo, e a máquina estava sempre em cima da mesa. Ele foi embora, e deixou a máquina lá, mas não tinha mais ninguém oficialmente tomando conta dela. Quando se aproxima a hora do último metrô, todo mundo já levanta, começa a despedir, ir no banheiro, e nesse movimento a máquina sumiu. Ninguém dos meus convidados, obviamente; provavelmente alguém que estava por ali e viu a máquina dando bobeira.
Já fazia tempo que eu tinha ela, e na verdade ela valia muito pouco. Já vi na Internet outras bem melhores por menos de 100 dólares. Mas ao preço adicionam-se o cartão de memória, a capinha, as pilhas, os impostos, e nisso vai fácil um dinheiro que eu não estava disposto a gastar. Vou adicionar à lista de desejos, caso algum leitor se compadeça da minha situação e queira me fazer um agrado.
A maior perda, na verdade, foram as fotos que haviam sido tiradas ontem. Muito triste.

sábado, 8 de novembro de 2008

Festa

Nunca tenho muito ânimo pra fazer algo especial pro meu aniversário. Primo, eu acho que já passei da idade de gostar de ficar mais velho; secundo, dá sempre muito trabalho, e só de imaginar os preparativos eu já me desmotivo; tertio, eu normalmente não gosto de grandes comemorações, e sempre preferi fazer alguma coisinha light com os VIPs, e já está bom demais.
Mas esse ano foi diferente, tanta gente importante entrou na minha vida nos últimos tempos, que resolvi vencer o ócio e inventar algo, mais para celebrar a presença dessas pessoas à minha volta e as muitas conquistas desse ano.
Como aqui em casa é meio pequeno, e por conta de crises globais e restrições financeiras, e a preguiça sempre dá a sua opinião, decidi convidar um bando de gente pra sair pra beber num barzinho. Eu estava esperando uma meia dúzia de pessoas, mas se convida um tem que convidar o outro, sempre tem os que levam cônjuges e amigos, e alguns nos surpreendem dizendo que vão quando a gente nem espera. Nisso, já são 20 pessoas confirmadas.
Como meus amigos aqui não são muito criativos, não são tantos os barzinhos legais que eu conheço, pois sempre acabamos indo para os mesmos. Decidi então pelo St. Sulpice, aonde eu só fui no verão por causa do enorme terraço, que infelizmente está impraticável hoje por causa de chuva e friozinho, mas que também tem muito espaço fechado, e dá pra acomodar bastante gente.
Segunda liguei pra fazer a reserva para hoje à noite, caixa postal. Mandei e-mail. Outro e-mail. Liguei de novo. Na quinta, no meio do pânico, com esse bando de gente confirmado e sem saber se eu ia dar conta de sentar todo mundo junto, eles finalmente me retornam e me dizem que só fazem reservas para pessoas mais populares com grupos de pelo menos 50 pessoas. Desculpa aí, né? Mas me garantiram que eu conseguiria facilmente o espaço para amontoar todos os meus convidados.
Vamos ver o que sai dessa história agora. Amanhã eu conto como foi.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Neblina

Hoje amanhecemos debaixo de nevoeiro forte, e eu tirei outra foto do parque em frente de casa, para comparar com a de ontem, em que o dia amanheceu super claro. Mas foi o tempo de chegar no trabalho pra tudo se dissipar, e abrir outra manhã de céu azul.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Então é Natal

Gente, será que alguém pode passar ali no camelô e me comprar o CD da Simone, faz favor? Então é Natal, e eu não sei o que eu fiz, mas só sei que de repente o ano está terminando, assim sem nem perguntar se pode.
Enquanto isso a gente vai aproveitando essas últimas semanas em que o outono ainda tem cara de outono, e que misturado com todo o clima natalino e um tempinho agradável (que quase parece inverno lá no interior de São Paulo) faz com que o infalível frio que se aproxima pareça mais tolerável.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Lixo

Uma semana de material a reciclar, comparado com o saquinho do lixo do mesmo período.
Alguns bairros de Montréal estão tentando economizar alguns trocados e incentivar a reciclagem. Tiveram então a grande idéia de reduzir a freqüência da coleta de lixo comum de duas para uma vez na semana, e manter a coleta de recicláveis semanal. Vide história aqui.
Aqui em casa eu sempre fico impressionado não só com o volume de lixo geradao mas também com a proporção destinada à reciclagem.

sábado, 1 de novembro de 2008

Presente

Aniversário da Nara neste final de semana, e como não tenho dinheiro pra comprar presente, tive que dar uma leve improvisada. Já que o tema da festa vai ser o Dia das Bruxas, com só uma cajadada resolvi dois problemas: dar fim na abóbora que comprei para servir de enfeite aqui em casa pelas últimas semanas, e fazer um agrado à aniversariante.
O problema agora é chegar lá do outro lado da cidade, carregando a lembrancinha de 10 quilos numa mão, e a cerveja na outra.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Nomes

Pelo menos uma vez por dia, normalmente no almoço ou já em casa, eu acesso o site de notícias da Globo pra dar uma olhada no que anda acontecendo no Brasil. Os assuntos que me interessam um pouco mais são economia, e às vezes política; é raro me deter em qualquer outra coisa.
Fico impressionado que em qualquer dado momento, as notícias de desgraças são sempre as mais numerosas: seqüestrador, estrupador, assassino, ladrão, golpista são sempre os personagens principais das histórias. Nada disso merece um clique.
Mas hoje estava lendo a emocionante história de Wonarllevyston Garlan Marllon Branddon Bruno Paullynelly Mell, filho de Dalvina Xuxa, primo de Linda Blue Junia Sharon Mell Melina Marla Cyndi, e que entrou na justiça com um pedido de retificação do registro civil e conseguiu finalmente mudar o seu nome, que fazia dele alvo de constantes transtornos e constrangimentos.
Detalhe tragicômico número 1: o garoto, de apenas 13 anos, decidiu manter o primeiro nome, que aprendeu a amar.
Detalhe tragicômico número 2: a reportagem não publicou os sobrenomes para preservar os envolvidos.
E olha que a matéria nem foi publicada na sessão 'Planeta Bizarro'. Benzadeus.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Doença

Com a primeira neve da estação ontem, e um frio úmido e penetrante que até tinha esquecido que existe, estou num começo de gripe, me sentindo meio devagar, e como o trabalho está passando por uma fase meio lenta, resolvi ligar para o meu chefe e dizer que não ia aparecer por lá hoje.
Às 11 da manhã, depois de ter enrolado um pouco na cama e ter adiantado a leitura para a aula de hoje à noite, estava tomando meu café na cozinha quando o Erick sai do quarto dele, de cueca e camiseta, um olho ainda fechado de sono e o outro lutando contra a claridade, coçando as costas, e me pergunta: você não está um pouco atrasado? Eu devolvo exatamente a mesma pergunta, e ele me diz que jogou hockey ontem à noite e está com dores no corpo, e também não vai não trabalhar. Agora o nosso chefe está provavelmente pensando que estamos os dois mentindo, e descansando de uma suposta farra ontem.
Devo admitir que um dos incentivos de não ir trabalhar é ficar sozinho em casa, um pequeno agrado que eu queria me dar. Não vai ser desta vez.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Errata

Cada conversa telefônica com a Ester renderia uma meia dúzia de posts aqui no blog, mas como ela é pelo menos 25% da população ativamente leitora deste espaço, acaba que as bobagens que a gente fala raramente são publicadas.
Mas domingo ela me chamou a atenção para um pequeno erro de lógica que eu cometi semana passada ao tentar me fazer de coitado com a desvalorização das ações da EA: eu escrevi que um dólar americano valia então 80 centavos de dólar canadense. Mas na verdade é o oposto!
O que muda um pouco o resultado obtido: mantendo os mesmos números, cada ação valeria 25 / 0,8 = 31,25 dólares canadenses, e não 25 x 0,8 = 20, como foi publicado. O que diminui a diminuição, e aumenta o meu investimento!
O mercado de ações é fantástico!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Projeto

Projeto é uma atividade única, complexa, não-rotineira, limitada em tempo, dinheiro, recursos e especificações de performance, designada para atender a necessidades de um cliente.
Programa é uma série de múltiplos projetos coordenados e relacionados que continua por um tempo determinado para atingir um objetivo.
Gray & Larson - Project Management, the managerial process
O programa de coloração decorativa do meu apartamento engloba alguns projetos já definidos, mas cuja implementação ainda se encontra em fase embrionária. Um deles trata especificamente de plantas, que pretendo espalhar pela casa, na tentativa de diminuir o impacto visual do bege/marrom que domina todas as paredes e móveis.
Marisa
Os primeiros elementos vieram sem planejamento algum, em forma de presente, diretamente da casa da Érica, que estava se livrando de sua vida estabelecida em Montréal para tentar a sorte, amor e estudos no velho continente. Ela me deu a Marisa, que foi pra sala, e a Zuleica, no banheiro, que até agora tinham sido os únicos espécimens clorofilados presentes neste ambiente.
Zuleica
Um tempo atrás, tentei imitar um amigo com quem morei por um tempo, e plantar grama em vasos pequenos, e ver o que acontecia. A intenção era acomodar o tom minimalista já presente, com algo que não desse trabalho, e não fosse muito chamativo. Comprei sementes que deveriam ter me dado aquela grama alta, fina, que cresce reta, e plantei em alguns vasinhos bem simples. No começo, o negócio estava promissor.
Tentativa de grama
Mas as danadas não foram pra frente. A grama chegou até a crescer um pouco mais da altura da borda do vaso, mas logo em seguida foi secando e morrendo. Bons gerentes de projetos sabemos a hora de desistir, e redistribuí os recursos: comprei algumas plantas, aleatoriamente, e coloquei nos vasinhos.
Floresta amazônica
Enquanto isso, vou aqui trabalhando com o diagrama de Gantt, a matriz de responsabilidades, a avaliação de riscos e a análise do caminho crítico, pra ver se esse negócio vai pra frente ou pelo menos dá uma movimentada.

sábado, 25 de outubro de 2008

Show

Posso contar nos dedos de uma mão os shows a que fui na vida. Esse nunca foi o meu ideal de entretenimento, ou, por causa da minha pão-durice, de investimento. Talvez por ser tudo meio que novidade é que eu tenha ficado tão impressionado com o show da Madonna.
Primeiro que eu nunca tinha ido ao Centre Bell, e embora antes eu achasse 17 mil pessoas nada de pomposo, ao ver esse povo todo organizadinho, sentadinho, batendo palma em uníssono, feito formiguinhas lá longe e por todos os lados, achei o número e o lugar bem mais respeitáveis.
E a Madonna dispensa apresentações, né? Tá certo, ninguém deve achar que ela canta bem ao vivo. Ela estava rouca ainda, coitada! Mas ninguém nega que a performance no palco e a super-produção à sua volta são de fazer cair os queixos mais blasés.
E é praticamente um espetáculo de mágica! As coisas aparecem e somem do palco sem ninguém se dar conta. Só faltam fogos de artifício para disfarçar que a cantora desafina, dubla, e apesar de em ótima forma física, já passou dos 50!
Como planejamento é o meu segundo nome, já fazia três semanas que eu estava ouvindo ininterruptamente as músicas do show gravadas em estúdio. Ou seja, eu sabia de cor o show inteiro, pois o playback era exatamente a versão que eu tinha. Era até bom quando ela estava dublando pois não havia nem surpresas. O Rodrigo deu risada, pois até a música que eles cantam em romeno eu sabia enrolar!
O lugar em que ficamos sentados também não foi tão ruim quanto eu tinha imaginado. É claro que se não fosse o telão, eles poderiam ter colocado a Cindy Lauper, a Britney Spears ou até a Tina Turner pra cantar á na frente que eu nunca ia perceber a diferença.
Outra coisa que eu estava achando meio estranha é essa mania primeiro-mundana de assistir a shows sentado. Mas no final das contas a minha senilidade agradeceu: apesar de eu ter ficado a maior parte do tempo em pé, a descansadinha entre uma música e outra era essencial pra manter o gás. Nunca mais vou pra show pra ficar em pé no meio da multidão, compartilhando o mesmo metro quadrado com 15 fãs histéricos, tendo que pular junto com a massa senão alguém pisa em você, isso não é vida.
No fim das contas, foi um bom programa. Acho que não vai virar hábito, mas como Montréal está na rota musical mundial, nunca se sabe.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Ações

Um dos benefícios do meu emprego atual é uma quota anual de ações da empresa nos quatro primeiros aniversários de serviços prestados. Recebi as minhas ações através de um broker online há uns dois meses, pouco depois de completar um ano na empresa. O dinheiro já tinha uma utilidade: a mesa de jantar.
Com o mau humor do mercado, a merda já conhecida: as ações que valiam 48 dólares americanos na época em que um dólar americano valia um dólar canadense agora valem 25 dólares americanos, com um dólar americano valendo 80 centavos de dólar canadense (vide errata).
Matemática de 5a. série: Seja X o número de ações, Y1 o seu valor em agosto e Y2 o seu valor hoje, qual a desvalorização em dólares canadenses?
Y1 = 48 . 1 . X = 48 X
Y2 = 25 . 0,8 . X = 20 X
Y2 / Y1 = 0,42 => 58% de desvalorização
Acho que eu preciso de uma mesa menor.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Hobby

Como é de costume, quando tudo vai bem, eu encontro alguma coisa pra me martelar as idéias e tirar meu sossego. Nessas últimas semanas tem sido o meu emprego: poucos desafios, pouco dinheiro, poucas chances de mudança, a rotina de sempre, e como conclusão aquela coceirinha pra sair procurando algo mais interessante.
Motivado a chacoalhar um pouco a situação, consultei uma especialista em busca de empregos, e a quatro mãos começamos a refazer o meu currículo. Aparentemente, a norma vigente no mundo dos negócios aconselha uma sessão entitulada 'hobbies', como última parte do CV. Esses conselheiros acreditam ler muito bem as pessoas, e essa não era diferente: já foi digitando, denudando-me, e embora ciente do meu descaso com este blog nas últimas semanas, registrou que uma das minhas atividades além da minha ocupação regular é escrever nesse espaço.
Agora tá lá, é oficial. Blogar, ou o seu neologismo equivalente em inglês 'blogging', é um dos meus hobbies. Então agora não posso ficar tanto tempo sem escrever. Aguardem, portanto, atividades mais regulares por aqui.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Branco

No dicionário, a definição de branco é: a cor do tapete do banheiro do Danilo, no momento de sua compra. É claro que assim que o primeiro pezinho nele encostou, ele perdeu a sua imaculada candidez, mas o conceito estava lá. Mas não mais...
Essa semana que chegou finalmente a minha máquina de secar, tive um surto psicótico e comecei a lavar e secar tudo que me passasse pelos olhos. Quase no final do processo, olho para o chão, enrugo a sobrancelha, e lá vai o tapete pra bater, junto com o seu congênere que fica na cozinha. O problema é que este último nunca tinha passado por tal processo, e na sua desfloração, soltou um rio vermelho que tingiu o outro tapete de rosa.
Agora ele está lá no balde, mergulhado na Ki-boa (que eu só soube que chamava água sanitária há uns dois anos), contrariando claramente as indicações na etiqueta. Acho que ele não vai se desintegrar, mas se não voltar a ser branco, vai pro lixo.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Cultura

Neste tempo de eleições federais aqui no Canadá, um dos assuntos que têm ganhado a atenção da mídia é a diminuição das verbas que o governo repassa para projetos culturais. Na última semana recebi uma ou outra corrente de email, pedindo para assinar embaixo e repassar, e sei que teve gente que foi fazer uma estardalhaço não sei onde em sinal de protesto.
Enquanto isso, o povo parece que não está muito preocupado com isso não, afinal, em tempos de vacas magras todo mundo tem que apertar o cinto, mas os artistas e antipatizantes da medida vão se fazendo ouvir ainda assim.
A propaganda abaixo virou fenômeno local no YouTube, e pinta o governo federal moroso, conservador, antiquado, ignorante, e o Québec bonzinho, próximo do povo, da natureza, de pires na mão pedindo um dinheirinho para disseminar sua cultura.
Imperdível.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Motoristas

Ainda no assunto do trânsito. Tome um lado, quem é você? Mr. Walker ou Mr. Wheeler?


Eu já fui um Mr. Wheeler, mas agora voltei às minhas pacíficas raízes como pedestre, graças ao Bom Pai.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Morte

Hoje foi o Dia Mundial Sem Carro, e como não poderia faltar, sempre tem um povo animado pra fazer uma baderna aqui em Montréal. Esses dias eles estavam distribuindo panfletos para o evento de hoje: todo mundo, lá no centro, se fingindo de morto, para chamar atenção para os efeitos nocivos da automobilização (?) da sociedade.
Como as pessoas sabem, eu não sou de protesto, nem de paralização, nem de baderna, nem de me fingir de morto, mas achei bacana a idéia e o empenho. Mas ainda assim fico com a minha consciência limpa: agora que estou morando onde o sistema de transporte atua em meu favor, enterrei para todo o sempre a idéia de comprar um carro (além do fato de eu estar enterrado em dívidas e não poder nem pensar em arcar com um luxo supérfluo destes). Só sei que somos eu e meu passe de ônibus/metrô pra cima e pra baixo nessa cidade, a qualquer hora do dia e da noite.
O prefeito aproveitou a comoção para dar a largada no projeto de aluguel de bicicletas, orgulhosamente o primeiro da América do Norte, mas copiado tal e qual do modelo parisiense. Pessimamente batizado de Bixi (Aretha, por favor, nenhuma piada, hein?), enquanto eu não comprar a minha magrela talvez eu dê uma experimentada.

Reportagem

Reportagem da Globo sobre a imigração para o Canadá. Nenhuma novidade, nem nada de muito interessante, mas vale a pena deixar registrado.

sábado, 20 de setembro de 2008

Cegueira


Conversando com a Aretha no final de semana passado, ela me disse que tinha ido ao cinema ver Ensaio sobre a cegueira, e falou muito bem do filme. Eu aproveitei a idéia e comprei o livro de presente para um amigo que fez aniversário ontem. Ele sendo francês, mas de mãe portuguesa, eu achei que a obra, mesmo que traduzida, pudesse agradar. E acertei.
Aproveitei para dar uma folheada no livro, e foi rapidinho para eu relembrar o quanto tinha gostado dele, quando o li há alguns anos. Fiz um pouco de pesquisa também para descobrir que o filme vai estrear em Montréal em algumas semanas, e o trailer corrobora a opinião da Aretha.
Eu sei que bateu uma vontade de ler o livro de novo. Talvez eu adicione a versão em francês à minha lista de (re-?) leituras.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Meu lanchinho

Almoço de amanhã, lanche da tarde de amanhã, almoço de depois de amanhã, lanche da tarde de depois de amanhã. Com tanta coisa para fazer, projetos para entregar, relatórios para escrever, testes para coordenar, o preço de sair para comprar comida é multiplicado pelo tempo que isso dura. Arroz, frango, frutas, barras de cerais, tudo balanceado, e planejado em direção à otimização do tempo.

domingo, 14 de setembro de 2008

Buraco

- O que é um fuio? - É um buiaco na paiede.
Piadinha batida, mas muito boa

Eu tinha a impressão de que do buraco na minha testa havia se aberto sobre um terceiro olho, um olho pineal, não virado ao sol e capaz de contemplar sua luz cegante, mas dirigdo às sombras, dotado de um poder de olhar o rosto nu da morte, e de capturá-lo, este rosto, atrás de cada rosto de carne, sob os sorrisos, através das peles mais brancas e mais saudáveis, dos olhos que mais riem. O desastre já estava lá e eles não notavam, pois o desastre é também a idéia do desastre por vir, que arruina tudo bem antes do seu amadurecimento.
Jonathan Littel - Les Bienveillantes


Era uma vez um furo. Na verdade, muitos furos, muitas vezes. Eles foram a causa do meu desespero inicial ao me mudar para meu apartamento novo, e quase me fizeram cancelar o negócio. Esta é a história de alguns deles.
Onde tudo começou - minha sala, lacerada, despedaçada, aflita, mortificada, amargurada, atormentada:
Massa corrida, minha panacéia, santo bálsamo, trazendo brancura, paz, alívio, conforto:
Primeira camada de tinta, sofá ainda protegido dos respingos virulentos da ferida ainda mal cicatrizada:

E enfim, a cura:

sábado, 13 de setembro de 2008

Ponto de vista

Problemas no Windows no telão do metrô:


quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Gula

Eu sei que essa vida glutona tem me agradado o espírito e arredondado a silhueta. Acabou meu contrato na academia, e eu fico inventando desculpas aleatórias para não renová-lo, e enquanto isso na sala de justiça, sedentarismo e muita comida.
Semana passada a gente começou de leve, depois do almoço, tomando uma sangria de vinho branco lá no Sir Winston Churchill, na Crescent. Conversa fiada para todos os lados, dali um tempo resolvemos cruzar o centro à pé para chegar no Plateau, para comer um poutine lá no La Banquise. A caminhada foi só pra deixar a consciência mais leve. Depois de tantos hidratos de carbono, lipídios e cloretos de sódio, a gente precisa de um docinho, pois ninguém é de ferro. E lá naquela vizinhança, se é pra comer um docinho então que seja com brio: chocolate em todos os seus estados no Juliette e Chocolat.
Esse final de semana agora tem piquenique. E vai rolar uma cervejinha na casa de um ou de outro. Talvez até uma moqueca, segundo minhas fontes, e embora eu não seja de camarão, também não sou de temperança.
Benzadeus, que essa cidade faz bem à saúde.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Frases

Pérolas produzidas pela Ester no final de semana passado, em que ela esteve em Montréal me visitando.
Quem sou eu?
Tentando identificar o seu personagem no Wii.

Eu conheço essa música.
Ao ouvir no shopping a música que ela tinha acabado de aprender a tocar no Rock Band.

O Danilo me tratou como uma princesa. A princesa sendo eu.
Ela já explicou a diferença entre frases ambígüas e polissêmicas.

Ei! Estamos dormindo aqui! Vocês podem falar mais baixo?
Tirando minha moral, emasculando-me, ao abordar uns pedreiros que estavam fazendo barulho de manhã cedo do lado da minha janela, e após ouvir de mim que eu não me atreveria a comprar briga com eles.

Cento e noventa mil dólares é muito dinheiro.
Sobre o salário de um emprego para o qual vamos nos candidatar.

Acho que aquelas chinesinhas nunca tinham cortado cabelo enrolado.
Em mais uma demonstração de sua bravura ao aventurar-se por terrenos desconhecidos.

Eu adoro Montréal.
Afinal, quem pode culpá-la por isso?

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Curso

No final do ano passado tentei convencer a minha conselheira acadêmica de que eu não aprenderia nada no curso Information Systems for Managers [PDF], obrigatório para o meu diploma, mas não fui convincente o suficiente para me livrar dele. O ponto é que as universidades aqui são gerenciadas como um negócio, e eu sou uma fonte de renda da qual eles não querem abrir mão tão facilmente.
Sugeriram então que eu fizesse uma prova, e que dependendo do resultado, eu poderia ser abençoado com o privilégio de não ter que cursá-lo. Comprei o livro, li de cabo a rabo, e apareci lá no dia marcado. A avaliação não foi difícil, mas requisitava algumas decorebas que eu não me predispus a memorizar. Resultado: insuficiente. Tive que me engolir meu orgulho e me matricular.
Acabei por fazê-lo neste termo de maio a agosto. Foi sem dúvida o curso mais estúpido do mundo, uma revisão muito superficial de muita coisa que eu tinha feito na faculdade no Brasil, e que vim aprendendo nos empregos desde então. A boa parte deste tipo de matéria é que o trabalho mental tende a zero, mas é inversamente proporcional ao esforço físico de estar presente nas aulas e de em sua duração manter os olhos abertos. Ainda assim, é a menos pior de se fazer no verão.
Semana passada foi a prova final, exatamente a mesma cópia da avaliação que eu havia feito quando tentei a isenção. Desconfiado que este poderia ser o caso, já tinha decorado algumas coisas que tinham me faltado antes, e ao responder as questões tentei usar um pouco mais da baboseira que havia sido dito em sala de aula. Com certeza me dei bem.
Agora tenho três semanas de férias da faculdade, mas o ânimo de continuar continua abaixando. Como levar uma instituição dessas a sério?

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Televisão

Nós havíamos saído de casa naquele sábado de chuva só pra comprar um lixinho pra debaixo da pia da cozinha, mas o Erick conseguiu me convencer a passar pelas lojas de eletrônicos para olhar TVs, ainda faltante na nossa sala.
Vimos muitos modelos, marcas, tipos, todos caros e enormes, e como era ele que ia pagar pelo mimo, eu só estava de consultor, e fui dando minha opinião (quase) desinteressada e (ainda menos) imparcial. Lá pela milionésima televisão, achamos uma promoção meio estranha na Futureshop: duas delas da mesma marca, modelo e tamanho, mas uma com capacidades de alta definição ('Full HD', no jargão da indústria), e outra sem tal frescura, mas as duas pelo mesmo valor. Preço que, diga-se de passagem, não era pouco corpolento, mas que estava justo para o modelo mais simples, o que tornava o outro um bom negócio. E a decisão estava tomada, a busca terminava ali.
Difícil foi comprar. O vendedor até então estava fazendo propaganda de uma outra lá, que segundo ele nos serviria melhor para o nosso uso. Quando comunicamos que era realmente aquela que queríamos, o seu gerente apareceu na história, oferecendo um desconto em um outro modelo. Ainda não mudamos de idéia, e eles continuaram, agora em uníssono, com o argumento de que o negócio não era assim tão bom. E só pararam quando não tinha mais jeito, após a assinatura da farta fatura do cartão de crédito.
Chegando em casa, descobrimos pela Internet que o preço estava errado, e que nos venderam um produto com 400 dólares de desconto. Algum coitado colocou o preço da TV mais barata para a mais cara, e aparentemente só descobriram tarde demais.
Eu estava super feliz com a compra do lixinho da pia, mas o Erick ficou radiante com a da TV.

sábado, 2 de agosto de 2008

Renda e bens imóveis

Com toda essa história de bens imóveis percorrendo minhas idéias e me aguçando as neuras, dei de cara com um estudo sobre a acessibilidade financeira de imóveis em vários países, inclusive o Canadá.
Segundo o método utilizado, os centros urbanos pesquisados são classificados pela razão entre a mediana dos preços de seus imóveis e a mediana das rendas familiares*. Montréal encaixa-se no nível 'moderadamente acessível', com os valores de $198.000 para os preços e $51.000 para a renda, o que implica que a família mediana precisaria trabalhar por 3.8 anos para pagar pelo seu lar doce lar.
No meu caso, apesar de eu não me encaixar exatamente nestes valores, a razão continua perto do resultado para Montréal, a um pouco mais de quatro. O que, na verdade, esconde que a minha hipoteca está prevista para durar mais de 30 anos da minha vida mediana para eu terminar de pagar meu apartamento também mediano.

* Depois que eu fizer o meu curso de estatística na McGill e relembrar a razão pela qual a mediana é a melhor ferramenta, eu conto pra vocês.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Queimado

Nesse final de semana inventamos de fazer um almoço para o pessoal da nossa equipe no trabalho, e alguém teve a má idéia de que os estrangeiros deveriam fazer comidas típicas. Os dois brasileiros, numa idéia que inicialmente pareceu ainda pior do que a do almoço, resolvemos fazer feijoada e brigadeiro, suficientemente bem classificados na nossa concepção de brasilidade.
A feijoada, descreditada por todos desde o começo, demorou mas não deu trabalho. Tudo graças à Luana, que sabia exatamente onde comprar as carnes necessárias lá no bairro português. O feijão preto e farofa originalmente contrabandeados na última viagem do Rodrigo também vieram a calhar. Sem panela de pressão, o negócio ficou lá cozinhando e borbulhando por umas 12 horas, e enquanto isso a gente foi botando o papo em dia e o brigadeiro em curso.
Brigadeiro é à prova de falhas, nem o leite consensado genérico que pudemos encontrar tirou a nossa confiança. No meio daquela falação toda, aquela ciranda para ninguém cansar muito na panela, numa das minhas primeiras participações, a colher tem um surto psicótico e resolve sair voando, espalhando pequenas porções de brigadeiro fervente no balcão, no fogão, no chão, na minha mão (que poético).
Pouco poéticas foram as palavras que eu proferi em seguida, em meio à emoção de todos, instintivamente com a mão na boca e tentando alcançar uma fonte de água gelada, mas o estrago já estava feito, e para ficar. Primeiro veio a maior bolha que eu tinha visto na vida, digna de protagonista de filme; ela eventualmente estourou, e sobrou uma península dermatológica, presa ao resto da queimadura por um lado, que ficava batendo ao vento e enquanto eu lavava as mãos; mas ela não durou muito tempo, e agora tenho só o buraco vermelho que enoja todos à minha volta.
Finalmente, a feijoada ficou muito muito boa. O brigadeiro, no entanto, nem tanto: meio açucarado, o granulado meio duro, nada de especial. Os locais ignorantes adoraram tudo, mas eu fiquei com o sentimento de que teria valido mais a pena me queimar na feijoada.

terça-feira, 22 de julho de 2008

56

Semana passada recebi uma ligação do meu banco:

"O senhor ultrapassou o limite no seu cartão de crédito."
"Ai meu Santo Cristo. Qual o tamanho do estrago?"
"56 centavos."
"???????"
"Não é muito, mas é que gostaríamos de avisar que caso pagamento algum seja feito suas próximas compras a crédito não serão aprovadas."
Talvez não pro banco, mas pra mim isso não valeria uma ligação. O pior disso tudo é que eles só me deram esse cartão de crédito porque eu concordei em deixar o valor do meu limite em uma aplicação no banco, a que eu não tenho acesso, e que serve de segurança para eles caso eu dê o calote.
56 centavos. É foda.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Iniqüidade

Nas minhas andanças diárias pela Internet, estava lendo um experimento (versão em português) onde estavam estudando reações de aversão à iniqüidade em primatas: pares de macacos deviam fazer uma tarefa, e eram recompensados por ela com um pepino ou com uma uva. Quando os dois macacos recebiam a mesma recompensa pela mesma tarefa, eles continuavam a realizá-la sem problemas, mas quando um deles recebia uma uva e um outro um pepino, a coisa já começava a ficar desbalanceada. Assim como humanos, eles preferem o doce, e quem era preterido no prêmio parava de fazer o que dele se esperava.
No meu emprego começou a acontecer uma coisa parecida. Com os resultados do último ano fiscal, bônus e aumentos de salários foram distribuídos, e tudo isso gerou um bafafá monetário sobre salários e recompensas. Embora não sejamos autorizados a divulgar quanto recebemos, nas conversas em torno da máquina de café o assunto não é vetado, e nisso acabamos descobrindo o salário até de pessoas que nem conhecemos.
E daí é um pulo pra saber quem ganha uvas, e quem ganha pepinos. Eu, obviamente, faço parte do grupo que só recebe os referidos cucurbitáceos, e outros colegas na minha situação já começaram a procurar (e encontrar) quem esteja disposto a recompensá-los mais docemente.
Será que já é hora de eu pensar em pular para outros galhos?

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Imposto de Boas-Vindas

"Você não precisa se preocupar com esse imposto, e nem ir atrás dele para pagá-lo. Ele vai vir atrás de você."

Esse tinha sido o conselho do tabelião no dia da compra do meu apartamento, e ele se referia ao incômodo taxe de bienvenue, incidente sobre toda transferência de títulos de propriedade imobiliária, e de responsabilidade do comprador.
E o danado acabou por me achar, maldita eficiência do sistema. Quando abri a caixa de correio e vi o envelope pardo com o símbolo da prefeitura de Montréal, já sabia do que se tratava. Por mais acolhedora a cidade seja, eu não estava esperando uma cartinha à mão do prefeito me parabenizando pela compra.
E por falar nisso, de acolhedor esse imposto tem só o nome! Ele é, na verdade, um símbolo da prefeitura me dando boas vindas aos seus cofres, que espera ansiosamente as minhas contribuições ao longo do ano.
Finalmente criei coragem e rasguei o envelope, e mesmo já sabendo do tamanho do tombo, o impacto da queda ainda foi grande: quase o salário de um mês inteiro, pra ser pago de uma tacada só, sem fazer manha.
A corda está ficando apertada.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Medo(s) do escuro

Nessas semanas tá rolando na Concordia e na Cinemateca o tradicional festival de cinema Fantasia, que foca no "cinema do imaginário", ou seja, só coisa muito doida!
Fui com o Erick assistir Peur(s) du Noir, um filme francês de animação que na verdade é a junção de seis curtas de diferentes diretores. Só de ver o trailer eu já fiquei apaixonado e arrepiado, e o filme não deixou nada a desejar. Ele já não está mais em cartaz, mas coisa boa não deve faltar na programação, o que falta é companhia pra ir assistir esses filmes.

domingo, 13 de julho de 2008

De volta

Tanta coisa acontecendo no verão em Montréal, mais mudança para a casa nova, mais pessoas vindo visitar, mais pessoas novas aparecendo, mais um tempo fora do ar, com tudo se acalmando será que eu vou conseguir um tempinho pra voltar a escrever por aqui? Acho que até a minha mãe parou de ler este blog, o que não é um bom sinal, mas depois de tanto tempo de ausência eu nem posso culpá-la.
Fiquem ligados, muitos posts começados e mais idéias para compartilhar, em breve, neste mesmo local.

sábado, 21 de junho de 2008

Ponto de vista

Propaganda da cerveja Labatt Bleue na preparação para a festa nacional de St. Jean, neste dia 24: 'On est tous québécois, même à Montréal'. O 'Bonne 24' é um trocadilho entre o dia da festa e o número de garrafas em um engradado grande.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Refeição

Hoje fiz minha primeira refeição no apartamento novo: um sanduíche pronto comprado no supermercado, um litro de leite, e bolacha Oreo, sentado no único assento disponível até agora, o vaso sanitário. Quando não se tem geladeira, fogão, mocroondas, pratos, copos, talheres, guardanapos, as opções de comida ficam um tanto limitadas.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Posse

What you own will end up owning you.
Tyler Durden - Fight Club
Agora é oficial, não tem mais jeito de voltar atrás, e já é tarde demais para mudar de idéia: comprei o meu apartamento.
Depois de muita pesquisa, muitas visitas, muita negociação, muita ansiedade, muita espera, hoje fui apertar a mão do vendedor na frente do tabelião, e assinar todos os papéis referentes à transferência da propriedade. E é claro, pagar uma montanha de dinheiro que nem é meu, e em tal quantidade que eu nunca vou ter. É a minha realização do sonho americano: a democratização da prosperidade através do crédito barato que nos impele a consumir e nos faz sentir ricos!
E com toda essa movimentação, hoje foi um dia de emoções. Antes de ir resolver a burocracia, eu estava tentando acreditar que estava tudo bem, mas uma desconstipação intestinal foi o suficiente para apressar a mensagem ao cérebro de que eu estava literalmente cagando de medo.
Depois do trabalho, no qual não consegui focar muito durante a tarde, passei no apartamento para ver o estado. E foi meio pesado. Eu já tinha estado lá algumas vezes, mas com todos os móveis bonitinhos, tudo arrumadinho, cheirando bem, e com os antigos donos sorrindo de orelha a orelha e estrategicamente posicionados para esconder os problemas. Que na verdade são bem poucos, mas parecem infinitamente ampliados no vazio e no ecoar dos passos: os buracos nas paredes, as manchas nas pinturas, os fios saltando aos olhos, a impressão de que nada vai caber.
Agora estou num limbo, tentando parar de enfatizar a parte ruim, e tentando me lembrar da parte boa. Da negação à aceitação em 12 horas. Acho que quero minha mãe pra me dizer que vai dar tudo certo.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Consciência

Antes da concepção da natimorta idéia de trocar o meu curso da McGill por um MBA, a intenção era levar muito calmamente o resto das matérias que ainda me faltava, uma por vez. Mesmo que eu fosse demorar quase dois anos pra terminar, eu me dizia, eu não estou com pressa, não preciso do diploma, eu dou valor à qualidade de vida, o diploma não vai fazer tanta diferença agora que eu já estou com um emprego, e tudo mais. E todo mundo me suporta nesses argumentos.
Mas depois do balde de água fria que a faculdade jogou na minha cabeça ao me dizer que as matérias que eu já fiz não poderiam ser aproveitadas no MBA, meu espírito foi contaminado por uma ojeriza a esse curso que eu estou fazendo, e agora quero usar a técnica do band-aid, terminar o mais rápido possível para poder partir para fazer algo mais divertido ou interessante. E o mesmo povo que me apoiava antes, continua me apoiando, mas agora com os argumentos opostos: não é tão difícil trabalhar e pegar mais de uma matéria, com o término do curso virão melhores oportunidades, que não é bom ficar se alongando muito, e tudo mais. Menos o Bernardo.
O Bernardo trabalhou comigo, e bate o pé e defende a idéia de que eu tenho é que pegar leve e aproveitar a vida, que é curta demais para essas pelejas acadêmicas a que nos subtemos. Ele é o diabinho que me suspira no ouvido tudo aquilo que eu quero acreditar, mas que meu lado responsável não me deixa colocar em prática.
Neste quadrimestre de verão, tinha decidido fazer duas matérias e, por conseqüência, ir contra o Bernardo. Mas por causa de oferecimentos e pré-requisitos, só havia duas matérias que eu realmente podia pegar, então não foi muito difícil escolher o que eu ia fazer. So que essas duas são oferecidas no mesmo dia: eu acabei só com uma delas, portanto. A consciência ficou pesada. Mas eu não consigo deixar de achar bom. E o Bernardo acha graça.

sábado, 7 de junho de 2008

Tio

Um cadim atrasado, mas eu precisava anunciar que nesta semana meu número de sobrinhos aumentou em 50% com o nascimento do Lucas!

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Ponto de vista


Estátua de James McGill, no centro do campus, preparada para as comemorações de colação de grau desta semana.

domingo, 25 de maio de 2008

Museus

Hoje era entrada gratuita em todos os museus da cidade, e como neste tempo de vacas magras a gente não pode deixar passar em branco uma oportunidade dessas, liguei para a Nádia e fomos para o Centro de Ciências. Fazia tempo que eu já estava de olho em algumas das exposições, mas acaba que as chances passam e eu acabei nunca indo em nenhuma.
O dia estava agradável, mas só descobri o quanto ao sair do metrô, já ali perto do Velho Porto. A quantidade de gente na rua era impressionante, acho que eu nunca vi aquela área tão movimentada. E é claro que boa parte dessa multidão também tinha o mesmo destino que nós.
A entrada do Centro de Ciências estava pior que festa de criança, e quando finalmente vimos a fila, tivemos que parar um pouco para contemplar a imagem e rir da nossa desgraça: ela dava voltas e voltas, e andava muito lentamente.
Demos meia volta e fomos beber sangria num terraço de um barzinho numa rua badalada e aproveitar o sol. Dá muito trabalho tentar ser culto.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Imposto

Eba! Recebi essa semana o depósito da parte provincial da minha restituição do imposto de renda! Vivam os impostos!
Na verdade eu estava com medo de ter colocado alguma informação errada na declaração, e da polícia vir bater aqui na minha porta pra me deportar, mas aparentemente, deu tudo certo. Mas é claro que muito suor e sofrimento, como sempre, eita complicação que foi angariar e preencher a papelada toda!
Queria agradecer ao Gold que desenterrou da Internet os endereços para mandar as declarações, e que tirou do chapéu a informação de que por ter sido esta a minha desvirginação tributária, ela deveria ser enviada para o local que trata as declarações de não-residentes, dado que não constava em lugar nenhum!
Mas, como tudo que vem rápido, vai rápido, o dinheiro da restituição vai todo para pagar a faculdade...