quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Bruxas (2)

Está rolando no Facebook um convite para uma festa de Dia das Bruxas dentro do metrô. O negócio funciona assim: os convidados, todos fantasiados, devem estar na estação Côte Vertu, ponto inicial da linha laranja, às 9 da noite, onde vão entrar no último vagão, e ir fazendo algazarra por todo o trajeto, que desce até o centro, volta a subir pelo outro lada da montanha, e termina em Laval 48 minutos depois. Alguém é encarregado de trazer um iPod e auto-falantes, e todo mundo se compromete a não abusar para que a polícia não estrague a farra. É claro que a organização do metrô não tem nem idéia do evento, e nem o patrocina, mas desde que as pessoas estejam se comportando civilizadamente, a pequena perturbação da ordem pública pode ser alvo de vista grossa, como aconteceu em eventos parecidos no passado.
Ainda no assunto, hoje o Halloween também foi tema de comoção no trabalho: o RH organizou um concurso de fantasias, e incentivou todos a irem trabalhar a caráter. Eu, cagão que sou, não consegui superar o medo de chegar no trabalho e ser o único fantasiado, então eu ignorei tudo isso. Mas é claro que muita gente teve mais coragem e empenho que eu, e foi um dia engraçadíssimo, com toda espécie de criatura vagando pelo escritório. Abaixo, as fotos dos premiados com vale-presentes da Futureshop:

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

ONU

Semana passada, o jornal La Presse anunciou que o governo federal está cortejando a ONU a trazer seu quartel-general de Nova Iorque para Montréal. Segundo o artigo, a transferência da sede para cá seria mais barata do que as renovações necessárias nas instalações atuais em Manhatan.
Apesar de pouca gente acreditar que essa história vai pra frente, foi feito um grande planejamento do projeto, que teria como localização a região do Velho Porto de Montréal. O fluxo de negócios e dinheiro que seria direcionado para a cidade tem deixado muita gente esfregando as mãos em vista dos futuros lucros, mas os 20 mil empregos diretos e 60 mil indiretos seriam muito úteis para toda a região.
Eu, particularmente, acho que Nova Iorque e os EUA têm mais poder e interesse para brigar para que tudo continue como está, mas ainda assim seria muito legal ter a ONU aqui no quintal de casa. Não custa sonhar, né?
P.S.: os atentos vão perceber que a escultura presente no projeto é exatamente a mesma que hoje existe no Parc Jean Drapeau, como tema da Expo 67, e que seria transferida para a região do Velho Porto.

domingo, 21 de outubro de 2007

Verão indígena

Diz a lenda local que no começo do outono, depois de dias escuros a baixas temperaturas, com os casacos já retirados do fundo do guarda-roupa, quando as pessoas já perderam a esperança e já começaram a estocar comida para o inverno, um súbito e intrigante sobressalto estival se faz presente quando ninguém mais espera, retirando suspiros de alívio dos friorentos, como se a natureza nos quisesse presentear com uma última injeção de energia antes do longo inverno.
E o povo aproveita, como se ainda fosse verão, tempo calmo, vento leve, ar seco, e faz planos para o final de semana, e vai trabalhar de camiseta, e esquece as últimas semanas geladas, como se tivessem sido elas os pontos fora da curva, os pássaros se alvoroçam, os poetas cantam, as ruas e bares enchem.
Este curto período é conhecido como verão índigena (été indien, ou été de la Saint Martin na Europa), e suas explicações meteorológicas me importam menos do que a história popular, assim como as definições muito restritas. Acredita-se que a expressão tenha nascido do fato que os índios da América do Norte sabiam aproveitar este período, esperando até o último minuto, para fazer suas reservas para o inverno.
Parte do que se conta é que muitas pessoas só se dão conta do fenômeno depois que ele acaba, marcado pela primeira geada do outono, ou mais gravemente, a primeira neve. Muito parecido com a nossa vida, inclusive.
Abaixo, algumas fotos despretensiosas do também despretensioso Parque Mahatma Gandhi, bem em frente de casa, neste final de semana de tempo excepcionalmente bom.





segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Vício

Ne cours jamais après un amour ou un autobus: il y en aura toujours un autre à prendre....
(Anônimo)
Trabalhar na indústria de jogos para celulares tem feito minha cabeça e me ocupado muito bem o tempo. Nas horas vagas, que o transporte público toma todas para si, fico alheio ao mundo ao meu redor, MP3 no último no ouvido, e olhos concentrados no meu celular, jogando Tetris. O vício tem me garantido boas pontuações no jogo, a impressão de que os caminhos são mais curtos, e eventualmente um pouco de torcicolo ou dor no dedão direito.
Mas como tudo que é bom engorda ou faz mal, neste final de semana o meu passatempo quase que me coloca numa fria. Voltando da noite na cidade madrugada adentro, alguns resquícios de álcool ainda no sangue, e todo o sono acumulado da longa semana de trabalho + faculdade + academia + francês + socializações, recorro ao Tetris para me manter acordado dentro dos dois ônibus que tenho que pegar para chegar em casa. Mas a concentração no jogo foi tanta que eu passei o ponto em que deveria descer, o que me fez perder o segundo ônibus. Aqui o transporte é eficiente, mas à noite a gente não tem tanta margem pra bobeira. Mas meu anjo da guarda me deu uma ajuda, e o ônibus que eu perdi era o penúltimo da noite, depois de uma meia hora de espera (jogando Tetris), consegui chegar em casa no ônibus seguinte.
Depois dessa passei a jogar Sudoku, que é tão viciante, tão poderoso em me manter acordado, tão exigente nos neurônios quanto Tetris, mas menos intensivo na concentração, e posso dar uma olhadinha pela janela com mais freqüência para saber onde estou.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Bruxas

Ontem nos reunimos eu e meus amigos com quem divido o apartamento para uma tarefa muito importante: entalhar a abóbora (ou moranga) para o tradicional Jack-O'-Lantern, clássica figura neste mês do Dia das Bruxas.
Depois de todo um trabalho em conjunto para o design do rosto que a nossa abóbora ia ganhar, partimos para a faca, mãos lambuzadas para tirar as sementes e as melecas internas, e finalmente dar ao fruto uma expressão bem expressiva.
Com uma vela dentro, ficou perfeito. E colocamos na porta do prédio, onde ficaria brilhando e assustando os maus espíritos para que não entrassem em casa, até o dia 31. Mas não durou tanto: algum %$&@! da puta deve ter gostado tanto do nosso design, e roubou a nossa abóbora talhada! Não deu tempo nem de tirar foto!
As sementes foram colocadas com sal para torrar no forno, e duraram mais um ou dois dias, mais do que o projeto todo que deveria servir para fazer esse bairro de gente estranha entrar no clima da festa tão tradicionalmente norte-americana.