terça-feira, 30 de janeiro de 2007

English, please

No processo de imigração, fui entrevistado por uma oficial canadense chamada Soraia Tandel, que avaliou o meu nível de proficiência nas duas línguas oficiais, e certificou que a cópia da documentação que eu havia mandado era fiel ao seu original. Tateando um pouco no escuro, fui indagando um pouco do seu feeling sobre a minha provável situação no Canadá, ao que fui respondido que o pouco domínio do francês e a graduação no Brasil não me deixariam em situação de grande desvantagem na busca de um emprego. Tudo seria misteriosamente solucionado pelo campo em que realizei meus estudos: tecnologia!
Mas antes de chegar aqui eu já tinha percebido que a história não é tão simples e nem a vida tão bela, não para os profissionais do meu ramo, e muito menos para os outros aventureiros que se jogam por essas terras. No Québec, conhecimento de francês é um requisito primário para quase todas as vagas que tentei abocanhar. Apesar do alto grau de bilingualismo em Montréal, um francês furreca não é compensando por um inglês bom em nenhum emprego interessante. Eu fui feliz ao achar um emprego minimamente pensante, e que não exija nada de francês; apesar de meu salário ainda ser baixo, ele não é mínimo. Mas esta exceção foi um caso de sorte.
E isso me faz questionar o conhecimento dos escritórios de imigração sobre tudo isso. Será que as minhas buscas estão desafortunadamente resultando em vagas de emprego que exigem francês? Ou será que eu devo acreditar no padrão que tenho encontrado e aceitar que eles me falaram bobagem? Será possível que o governo não conheça tão bem essas forças e que com isso vá disseminando a idéia de que o bilingualismo canadense é simplesmente um sinônimo de livre escolha de qual idioma usar em um dado momento?
Ou eu que estou entendendo tudo errado?

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Money talks 2

Ainda no assunto do post anterior, eu estava lendo um artigo do Charles Murray no Wall Street Journal em que ele defende um maior incentivo do governo para cursos vocacionais e de curta duração. Sua tese é que a grande facilidade de entrar na faculdade e pagar por ela tem atraído estudantes que não são capazes de tirar dela o máximo proveito.
Eu concordo com ele de que um diploma de bacharelado não deveria ser símbolo de status ou ascenção social, e que muitas pessoas se sentiriam realizadas executando profissões em demanda que não requerem quatro anos de faculdade. Aqui, parece ser comum carpinteiros com talento que ganham mais do que médicos, por exemplo.
Mas eu acredito que o estado não deve ser gerenciado como uma empresa, com o lápis na orelha e máquina de calcular na mão fazendo o balanço entre a entrada de impostos e a saída de recursos. É de interesse dos governos que sua população esteja satisfeita, e se um dos caminhos para esta satisfação é a educação, que ele seja louvado. Se algum dia eu fosse governar algum povo, eu preferiria que ele tivesse um alto nível de educação, mesmo não fazendo 'bom-proveito' destes conhecimentos nos trabalhos que realizam e com o qual pagam impostos.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Money talks

Tendo entrado em Québec como imigrante, eu posso fazer uso das taxas da McGill altamente subsidiadas pelo governo para os seus residentes. No total, eu vou pagar o equivalente a 75 dólares por crédito (55 de tuition e 20 de taxas administrativas diversas). Duas matérias, seis créditos, 13 semanas, 450 dólares por este termo. Como o meu curso é composto por 30 créditos, ou 10 matérias, eu vou pagar 2250 dólares no total. Muito mais barato do que um curso equivalente no Brasil. Destacando, porém, que a educação no Canadá é barata, principalmente se comparada aos Estados Unidos, e no Québec mais ainda que nas outras províncias.

domingo, 21 de janeiro de 2007

Dia da Bandeira

Hoje a bandeira de Québec completa 59 anos. Em 21 de janeiro de 1948, ela foi erguida pela primeira vez da torre do Parlamento. Azul, com uma cruz branca simbolizando a fé católica de seus ancestrais, e quatro flores de lis representando as origens francesas do povo daqui.
Esta província, que ainda não é um país, mas é considerada uma nação, tem muito orgulho de suas raízes e suas tradições. Aos poucos, eu vou aprendendo um pouquinho de seus costumes, para entender melhor o povo e tentar me adaptar mais facilmente à sua cultura. Eu já gosto bastante desta bandeira, pois para mim ela representa a possibilidade de uma vida diferente e de realizar um antigo sonho de voltar a morar no Canadá. E o Québec me deu esta oportunidade.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Guerra de neve

Voltando da faculdade, meio que escorregando no gelo e neve que ainda poluem o chão desde a nevasca do começo da semana, cruzei com uma menininha brincando com o pai. Quando nossos olhos se encontraram, ela estava com uma bola de neve na mão, que tinha acabado de pegar do chão, provavelmente pra jogar no pai. Continuando a me seguir com os olhos, e percebendo meu interesse na brincadeira, ela deu um pequeno sorriso erguendo as sobrancelhas, e eu me fiz de falso-assustado, como que pedindo pra ela jogar a bola em mim. Mas o pai dela captou as nossas mensagens subliminares e a censurou chamando-a pelo nome. Para o nosso azar, claro.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Organizando o tempo

Com o trabalho, tive que reorganizar os meus planos para o semestre escolar. Eu comecei uma pós graduação em Management na McGill, e tinha me matriculado em 4 matérias. Mas trabalhando em tempo integral eu descobri que essa ia ser uma tarefa impossível de tocar, pois todas elas iam me entulhar de material pra ler, além dos trabalhos em grupo, apresentações individuais, pesquisas, e tempo em sala, claro. Fiquei então com Accounting às segundas e Marketing às quintas, sempre das 18:00 às 21:00, e larguei Organizational Behaviour e Information Systems for Managers. Mas só essas classes com que fiquei vão me custar 150 páginas de leitura semanais, que, no meu passo, duram muito mais tempo do que eu estava inicialmente disposto a dedicar.
Mas ainda assim a vida vai ficar mais balanceada. Marketing é bem legal: a classe é toda baseada em discussões, casos reais, atualidades, e todo mundo participando. Accounting é o tédio que sempre será, e a ele adiciona-se um professor monotônico desprovido de qualquer emoção ou expressão.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Thank you for calling...

... the IT HelpDesk. My Name is Dan. How may I help you?
Ontem eu comecei meu novo emprego: vou trabalhar para a farmacêutica GSK, oferecendo suporte técnico por telefone principalmente para os empregados no Brasil, mas também nos Estados Unidos e Inglaterra. O chato disso é que vou ter que trabalhar no horário comercial do Brasil, que, por causa do horário de verão, está 3 horas a nossa frente, o que faz com que o meu turno comece às 5. Por enquanto, ainda estou fazendo treinamentos em horário normal, ou seja, das 8 às 17 aqui. Mas daqui a pouco vou ter que começar a acordar muuuuuito cedo... Segura meu mau humor!

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Mini-série semanal

Segunda-feira me liga uma mulher me oferecendo uma vaga de emprego.
Terça-feira faço entrevista com ela e com o meu possível futuro-chefe.
Quarta-feira faço testes online.
Quinta-feira faço avaliação por telefone.
Sexta-feira a mesma mulher me liga de novo... Final feliz: começo a trabalhar na próxima segunda-feira!
Como eu já havia mencionado neste espaço, minha única característica pela qual o mercado de trabalho canadense realmente parece se interessar é a língua materna. Vou trabalhar 40 horas semanais, em um call-center, oferecendo suporte técnico nível 1 (o que não é a mesma coisa que suporte técnico de primeiro nível) para questões relacionadas a computadores, softwares, conexões.
Não me trará fortunas, muito menos um grande aprendizado, mas por enquanto eu estou preocupado mesmo é com o aluguel no fim do mês.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Parabéns João Vítor!


Hoje é aniversário do João Vítor, meu sobrinho! Cara de lua cheia, mãos gordas, nuca curta, gênio difícil, como não amar este moleque?! Detalhe para a dentição superior inexistente.

sábado, 6 de janeiro de 2007

Dia de Reis

Dia de se encerrar os festejos natalinos, desarmar os presépios, desmontar as árvores, de acordo com a fé católica. Aqui no nosso porão somos todos batizados, porém não praticantes, mas ainda assim a árvore de Natal foi desmontada. Uma última foto se faz necessária: na falta de neve de verdade, fiz um boneco com marshmellow, fadado ao lixo, coitado. O ócio criativo me fascina.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

O que me define

Ontem, na primeira aula do curso de marketing na pós, foi pedido para que cada aluno se apresentasse rapidamente, citando algo que o definisse. Meu marketing pessoal ainda precisa de muito treino, e eu fiquei pensando no que eu deveria dizer.
No fim, como todos estavam falando de seus empregos, e de seus contatos anteriores com marketing, e como eu não tenho nem um nem outro, resolvi falar da minha formação acadêmica, e dizer que era um imigrante brasileiro recém chegado em Montréal.
Mas depois eu fiquei pensando: será que, após ter dito isso, eu sou capaz de ser algo mais, pelo menos na mente daqueles que formavam minha pequena audiência naquele momento? O fato que eu citei, será que ele me define, ou será que ele me limita?

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Resoluções

Algumas resoluções de Ano-Novo que eu pretendo cumprir, randomicamente organizadas:

  • aprender francês decentemente;
  • comprar um carrinho que me leve pra qualquer lugar;
  • aproveitar as matérias da pós;
  • achar um emprego que pague as minhas contas;
  • participar de outros círculos aqui no Canadá;
  • voltar a fazer academia;
  • postar neste blog freqüentemente;
  • manter contato com as pessoas no Brasil.
Não quero falar francês como um nativo, não quero um carrão, não quero as melhores notas, não quero dinheiro, prestígio ou sucesso, não quero emagrecer nem ficar bombado, não quero voltar pro Brasil uma vez por mês. Quero o simples, e que ele me satisfaça. Será que eu dou conta?

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

O problema com o futuro...

"Estou ficando decepcionado com estes anos novos. Eles não parecem novos, cada ano novo é igual ao ano velho. Outro ano se passou e tudo continua igual. Ainda há poluição e guerra e burrice e mesquinhez. Nada mudou. Eu me pergunto que tipo de futuro é esse? Eu pensei que as coisas deveriam evoluir. Eu pensei que o futuro deveria ser melhor."
"O problema com o futuro é que ele acaba virando o presente."
Calvin and Hobbes - Bill Watterson
Feliz Ano Novo a todos nós!