domingo, 31 de dezembro de 2006

Festa de Ano Novo

Aparentemente, a festa de Ano Novo dos integrantes do apartamento localizado no porão do número 2970 da avenida Van Horne em Montréal aconteceu ontem. O Alex chamou uns amigos para vir aqui em casa, e ficamos bebendo, e batendo papo, e bebendo.
E com a bebedeira, as discussões políticas! O pessoal daqui começa com a eterna polêmica da separação do Québec, e enquanto eles se emocionam com as opiniões uns dos outros, o Charles dá uma cochilada (diz que já ouviu muito disso) e eu fico abusando da minha capacidade cognitiva, já debilitada por não estar operando em minha língua materna, para expor uma eventual opinião, e mais do que isso, tentar enteder o que se passa na cabeça destas pessoas.
E eu gosto destas dicussões! O Alex se aproveita disso para tentar me convencer dos seus pontos, e eu me aproveito da boa vontade dele pra me aprofundar na politicagem canadense. Tem me feito bem!

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Frio, oh yes!

A primeira neve desta estação veio seguida do dia de Natal, que este ano foi verde, e com direito a céu azul.
Mas não nos deixemos enganar por este pequeno lapso da natureza: a neve veio, e ficou, e mais está por vir! Temperatura exterior no momento em que escrevo estas linhas: -17ºC. Agora sim, este é o inverno do qual eu me lembrava, embora não seja por ele que morro de paixões.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

Noël

Então é Natal, e Natal deve ser comemorado com família, nem que seja com a família dos outros. Ontem fomos cear na casa dos pais do Alexandre, que moram em St-Bruno, do lado de Montréal. Peru, torta de maçã, molho de framboesa, tudo em excesso, celebrando a fartura.
E a excitação dos presentes, é claro: ganhei roupas do Charles, chocolates dos nossos anfitriões, e patins de gelo (cacofonia intencional) do Alexandre! Segundo ele, um canadense tem que jogar hockey no gelo, e dominar a patinação é o passo essencial para o esporte!

domingo, 24 de dezembro de 2006

Trampo!

Meu primeiro emprego no Canadá não é nada do qual eu possa me orgulhar tremendamente, mas pelo menos já me ajudou a pagar o aluguel do mês. Hoje e ontem eu ajudei o Alexandre, com quem eu divido o apartamento, a fazer as batatinhas dele: ele trabalha para um empresa que faz chips (à la Elma Chips), e a função dele é ir de loja em loja, pegar os produtos no estoque, e encher as prateleiras, deixando-as todas bonitinhas. Pagando por hora, já tá valendo!

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Antes tarde...

...do que não ter uma árvore de Natal! Fazia anos que eu não montava uma árvore de Natal, muito provavelmente desde que a Vanessa casou e se mudou de casa. Até então fazia parte da nossa tradição: montar a árvore e brigar por algum motivo besta.
Os pais do Alexandre não estavam se sentindo muito natalinos este ano, e nos doaram a árvore deles, com todos os enfeites! Até que ficou bonitinha! Mas devo confessar que a parte feia ficou virada para a parede... Mas afinal de contas, não é nessa época do ano em que viramos todas as nossas partes feias para a parede?
Abaixo, Alexandre e Eric fazendo pose com as luzinhas!

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Danelfo

Eu acho que essa história de ficar desempregado não está fazendo muito bem pra minha cabeça, ou então é esse clima natalino que está me tirando um pouco mais dos eixos. Olha que bobagem enorme que eu tive a paciência de fazer e a coragem de publicar!

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Esquilos

Conversando com a Carol sobre as pessoas em geral (conversar sobre as pessoas em geral = fofocar), ela me disse que prefere os esquilos às pessoas, afirmação com a qual eu até concordava antes, mas aqui em Montréal as coisas são diferentes. As pessoas são muito simpáticas, e os esquilos são gordos e esnobes.
Sentado em um parque com um crêpe na mão, quatro esquilos vieram em minha direção para mendigar um pouco de alimento. Eu peguei um pedacinho de massa e estendi a mão, até que um chegou bem pertinho, pegou a massa, deu uma fungada, jogou no chão e me deu as costas. O maldito provavelmente devia estar mais acostumado com o recheio do que com a massa! Eu ainda estou mais preocupado com a minha própria subsistência do que com a dos esquilos, portanto nada de comida pra roedores bonitinhos e metidos a besta a partir de agora.

domingo, 17 de dezembro de 2006

'Caisse libre-service'

No supermercado: caixa de livre serviço, ou seja, o consumidor passa os produtos na leitora, escolhe o meio de pagamento, insere o dinheiro e pega o troco, ou passa o cartão e digita a senha, pega o recibo, e vai embora. Nenhum funcionário olhando pra verificar se o consumidor está realmente pagando pelo que está levando.
Não preciso ser um guru para desconfiar os motivos pelos quais tal 'avanço' ainda está um pouco longe do Brasil. Mas está perto do Canadá por outros motivos além da honestidade um pouco mais enraizada nas pessoas que moram aqui!
Pra começar, os altos salários e encargos sociais que até um caixa de supermercado receberia, o que faz com que até valha a pena perder um pouco de dinheiro com um consumidor 'desatento' que deixa de pagar por algum item.
Outra razão é a força dos sindicatos trabalhistas aqui, que com o seu poder político ajudaram a criar regras para humanizar um pouco mais o trabalho, e tentar ainda assim criar mais vagas. É uma balança difícil de ser equilibrada. Uma loja, por exemplo, só pode ter um número máximo de trabalhadores no período da noite, pois emprego decente é aquele do qual se chega em casa cedo. Ou seja, o empregador não pode contratar mais gente para trabalhar em alguns horários nem que ele queira. O que torna a parafernalha necessária ao 'serviço livre' ainda mais interessante.

sábado, 16 de dezembro de 2006

Segundona!

Ê lauê, fiz minha segunda entrevista ontem. Ao contrário da primeira, esta foi para uma vaga um pouco mais relacionada à minha área: suporte técnico nível 1! Call center ainda está um pouco longe do meu emprego dos sonhos, mas pelo menos está mais perto da realidade: trabalhando em computação, eu posso conseguir dar passos maiores neste recomeço de carreira. Eu daria suporte via telefone em inglês e em português em questões relacionadas a Windows, internet, email, impressoras, e coisas assim.
O triste disso tudo, tanto dessa entrevista como da primeira que eu fiz (para ser professor de português), é que a principal característica que chamou a atenção dos entrevistadores no meu currículo foi o fato de eu ser falante nativo de português. Ou seja, eles também se interessariam se eu tivesse sete anos de idade, quando eu já era alfabetizado.
Mas o importante agora é arranjar alguma coisinha besta mesmo, pra ir estudando para outras coisas melhores, aprendendo direito francês, e ainda assim ir ganhando meu dinheirinho pra me sustentar.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Frio?

A grama aqui em Montréal, assim como muitas pessoas por aí, está um tanto confusa. Não sabe se é primavera, inverno ou outono, não sabe se fica verde ou se desiste da vida.
Nesta semana, a temperatura máxima registrada na cidade foi de 11,8 graus, um recorde histórico, e uma grande surpresa para os locais já habituados a temperaturas bem abaixo de zero nesta época do ano.
Com esse calorão todo, também não tem neve no chão, e a possibilidade de um Natal sem neve (o primeiro desde que o mundo é mundo, ao que parece) já começa até a ser cogitada.
É o degelo, como eu previa, e o início do fim do mundo.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Primeira entrevista!

Ontem foi um dia com muitas emoções, eu fiz a minha primeira entrevista de emprego no Canadá! Tá certo que eu não estava sendo entrevistado para ser Vice-Presidente da Bombardier, mas sim para ser professor de português!
Uma escola aqui que trabalha com executivos que fazem negócios no Brasil se interessou pelo meu perfil, e me chamou para conversar um pouco com eles. Talvez até dê certo, mas eu já fiquei um pouco desanimado porque serão poucas aulas, e normalmente no meio do dia. Ou seja, dificultando a minha vida para conseguir um emprego em tempo integral.
Mas ainda assim, qualquer ajuda inicial para pagar o aluguel já tá valendo, além da primeira experiência de trabalho aqui no Canadá.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Terrorismo!

Que a paranóia já tomou conta das viagens aéreas pelo mundo afora todo mundo já sabe. Novidade para mim, porém, era que as 'medidas de segurança' são na verdade meras firulas. Chegando em Toronto, e esperando na fila para pegar o vôo para Montréal, fui informado de que deveria abrir a minha mala de mão, e colocar em uma sacola plástica todos os líquidos: pasta de dente, perfume, pós-barba, e solução para as lentes de contato. Opa, essa última não, o moço disse que solução para as lentes de contato não tinham problema, e que eu poderia carregá-la comigo. Ou seja, se o Abdalla do meu sangue quisesse explodir aquele avião, era só eu esconder os meus líquídos letais em um frasco de solução para lentes de contato. Será que os terroristas de verdade (todos Abdallas também) conseguem abrir a tampinha da embalagem?

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Cidade dos sonhos

Depois do choque inicial da chegada tão abrupta por essas bandas, começo a identificar um pouco o mal estar que tomou conta da minha sanidade nessas primeiras horas de vida nova. Tentei explicar a sensação no último post, mas não obtive muito sucesso, por isso volto a esse assunto. Eu estou me sentindo como uma das personagens do filme 'Cidade dos Sonhos' (ou 'Mulholland Drive' no original): tudo parece normal, sabe-se que se está no lugar onde se deve estar, mas não reconhece nada do lugar, nem das pessoas, tudo aparentemente amigável mas estranho. Eventualmente, uns monstros medonhos aparecem dos becos, mas tudo continua como se eles sempre tivessem pertencido ao lugar. Será que eu dou conta de acordar? Ou pelo menos de parar de cruzar com os monstros?

domingo, 10 de dezembro de 2006

Jornada

Tão longa a jornada!
E a gente cai, de repente,
No abismo do nada.
Helena Kolody
Por conta de condições meteorológicas desfavoráveis, tive que adiar em um dia a minha vinda. Mas do sábado não passou, e depois de dois vôos um pouco turbulentos e mais horas em vigília do que a lei dos homens deveria permitir, cheguei em Montréal meio perdido. E com a impressão de estar dentro de um filme que comecei a assistir bêbado e pela metade. Espero sair deste meio-sonho em breve e chegar na realidade para formar alguma opinião sobre tudo isso.

domingo, 3 de dezembro de 2006

Despedidas

There are places I remember all my life,
Though some have changed,
Some forever, not for better,
Some have gone and some remain.
(Beatles)
Agora com a minha vida (quase) toda arrumada para a partida, parto para as despedidas do Brasil. Neste final de semana fui para Campinas, terra de amores e amigos, relembrar de tempos passados e criar outras lembranças, para delas sentir falta depois. Tanto em Campinas me traz boas lembranças: o calor subindo do asfalto, o cheiro do ar-condicionado dos shoppings, Barão Geraldo, Unicamp, barzinhos, restaurantes, casa de amigos, muita coisa. Filosofia de botequim com o Davis madrugada adentro, barzinho desconhecido com a Arê, risadas com D. Ângela, frio no cinema do D.Pedro, camafeu da Casa da Sobremesa...
Na foto, eu com parte da turma de 99 do IEL, que tanto me acolheu, no Pizza Hut, que tem o melhor chá-gelado do mundo, acompanhado de um magnífico pão-de-alho com mussarela, e uma pizza massuda para a qual tanta gente torce o nariz, mas da qual eu nunca me canso.

Da esquerda para a direita: eu, Kátia Prô, Elisa, Ricardo, Davis, Lili; atrás da lente, Rúbis.